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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Do primeiro diamante à energia eólica

Brotas de Macaúbas, município de valor e cultura, tem muita história para contar
Brotas de Macaúbas desponta na Chapada Diamantina como o local onde, em 1842, foi encontrado o primeiro diamante da região – na antiga vila de Chapada Velha -, promovendo a grande corrida de garimpeiros do Tijuco, nas Minas Gerais, para as Lavras Diamantinas. O município também produz cristal de rocha em abundância e foi, outrora, rainha do fumo em corda – o ouro negro - que trouxe riqueza à região. Hoje desponta como uma das principais centros da energia eólica, sendo pioneira na exploração desse tipo de energia limpa, que começa a se instalar na Bahia.
Brotas de Macaúbas fica a 590 quilômetros de Salvador e por diversas vezes figurou no cenário político nacional. No início do século passado, quando das contendas entre os coronéis Horácio de Matos, nascido em Chapada Velha, e Militão Coelho, de Ipupiara/Barra do Mendes. A disputa entre os dois chefes políticos conflagrou a região e envolveu ainda diversas cidades da Chapada.
Em 1971 – anos de chumbo da ditadura militar – a população local assistiu a caçada e o assassinato do capitão do Exército e guerrilheiro Carlos Lamarca que tombou, juntamente com um filho de Brotas, José Campos Barreto, o Zequinha, no povoado de Pintada (Ipupiara). Naquela época, nosso município viveu dias de muita tensão e terror, especialmente na comunidade de Buriti Cristalino, onde as forças do Exército mataram também Otoniel Barreto e balearam Olderico Barreto, irmãos de Zequinha, além de torturarem selvagemente o pai dos três, José Campos Barreto.
Brotas de Macaúbas hoje é administrada pelo Partido dos Trabalhadores – prefeito Litercilio Nunes de Oliveira Júnior -, depois de mais de 40 anos de dominio de forças conservadoras. Antes, o município viu a política dos coronéis e dos intendentes escolhidos de arma em punho, a ditadura Getúlio Vargas impor um interventor – Nestor Rodrigues Coelho -, nos anos 40 e 50, até a eleição de Osório D´Oliveira Rosa, o primeiro prefeito eleito pelo voto direto do povo, no início dos anos 50.
CAIAM-BOLA
Pelos registros orais, pois não existe nada oficial quanto a isso, o primeiro nome de Brotas de Macaúbas foi Caiam-Bola, provavelmente de origem indígena. Além dos índios, que desapareceram na forma original, mas que deixaram a sua marca nos traços de nossa gente, os primeiros habitantes eram garimpeiros e pessoas que trabalhavam na extração e comercialização de diamantes. Esses primeiros habitantes, muitos vieram da Portugal e suas colônias, em especial do Arquipélago de Açores, de onde chegou um dos maiores legados culturais e religiosos da região, que é a devoção ao Divino Espírito Santo.
A cidade surgiu e cresceu em torno da capela devotada a Nossa Senhora. O pequeno povoado de origem, mais tarde elevado à condição de freguesia, tendo como padroeira Nossa Senhora das Brotas. Em 1878, por Lei Provincial, seu território é denominado Vila Agrícola de Nossa Senhora de Brotas de Macaúbas.
Há notícias sobre a existência do lugar desde 1792 com o nome de Brotas. Mas a povoação em torno da igreja ganhou força com o milagre da vaquinha.
Conta-se que a filha de um fazendeiro ficou muito triste com o sumiço de uma bezerrinha, presente do pai, levando a mãe a fazer uma promessa de que mandaria erguer uma capela para louvar Nossa Senhora caso o animal fosse encontrado. Meses se passaram e a menina definhava, até que caçadores e vaqueiros encontraram-na, já uma vaquinha e com um bezerrinho no local chamado Boqueirão de água pura e boa e da qual não se sabia a existência até então. A água cristalina - que abasteceu a população por muitos anos - e o capim farto no local salvaram a vida da bezerrinha perdida. Além da capela, o pai da menina também doou as terras ao derredor que foram sendo povoadas até os dias de hoje.
A partir do milagre, nascia a florecente Vila Agrícola de Nossa Senhora de Brotas, que mais tarde foi elevada à condição de município, incluindo terras hoje pertencentes a Ipupiara, Morpará, Barra do Mendes, além da vila de Corrente, hoje Bom Sossego, cedida a Oliveira dos Brejinhos.
O município de Brotas de Macaúbas, que era extraordinariamente grande e tinha sete mil quilômetros quadrados, indo de Morpará (margem do Rio São Francisco) até Barra do Mendes, hoje possui 2.372,44 km2. 
DADOS DO IBGE
O munícipio de Brotas de Macaúbas foi criado em 1882 com o nome de Vila Agrícola de Nossa Senhora de Brotas de Macaúbas. Por causa de sua localização na zona fisiográfica da Chapada Diamantina, região mineralógica por excelência, despertou e atraiu a ambição de garimpeiros, vindos principalmente das Minas Gerais e de portugueses em sua maioria oriundos da Ilha de Açores.
Nasceu então um povoado que foi elevado à freguesia com o nome de Macaúbas e tendo como padroeira Nossa Senhora das Brotas. Em 1878, por Lei Provincial, foi denominado Vila Agrícola de Nossa Senhora de Brotas de Macaúbas, ou simplesmente Brotas de Macaúbas.
O topônimo foi a adoção do nome da padroeira (Nossa Senhora das Brotas), acrescido de Macaúbas (vocábulo tupi que significa o fruto de macaba).
Em 1931, simplificou-se o topônimo para Brotas, e posteriormente, em 1943, para Brotas de Macaúbas.
Gentílico: brotense

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