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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Capelinha do Boqueirão é restaurada





Local é referência histórica de Brotas de Macaúbas e guarda os restos mortais de Quintino e Tertuliana Archanjo Ribeiro

A Capela de Santo Antônio, construída a partir dos anos de 1920, na Colina do Boqueirão, por Quintino Archanjo Ribeiro e sua mulher Tertuliana de Novais Ribeiro, é mais que um local de devoção para uma das mais importantes e numerosas famílias de Brotas de Macaúbas. O lugar é símbolo, referência, marco que identifica todo povo brotense. Na Capelinha estão sepultados os corpos do casal que a construiu e a edificação se destaca na colina como cartão postal da cidade.

A singela igrejinha vem sendo guardada pela família Archanjo Ribeiro e seus descendentes há cerca de 90 anos. Mas o tempo foi inclemente com a construção rústica que precisou passar por diversas recuperações. A primeira delas em 1951, quando das Santas Missões Franciscanas (Capuchinhos), oportunidade em que foi ali colocada a Cruz com o galo. Depois, em 1992, para a Festa do Divino, quando a pequena igreja foi totalmente recuperada e pintada.

Agora, em 2012, a Capelinha passou por ampla reforma, ganhando pintura em azul e branco, novas cruzes, portão de ferro e outros benefícios. Em todas as intervenções, as obras foram comandadas por algum membro das famílias de José Archanjo Ribeiro ou de Alzira Ribeiro - filhos de Quintino e Tertuliana -, mas sempre contando com o apoio de outras vertentes do mesmo clã.

Comunicação com o sagrado

A Capelinha do Major Quintino, como também foi chamada, é um marco que identifica os que moram em Brotas de Macaúbas. É uma referência e saudade para os que estão longe da terra natal. Mas a pequena igrejinha permanece na memória de todos, cada qual com uma história romântica, de aventura ou bucólica vivenciada ali para contar. Se da cidade, a Capelinha é mágica e inspira poetas, do alto da colina pode-se divisar a terra mãe brotense. A pequena capela ergue-se majestosa em frente à matriz de Nossa Senhora de Brotas – mágica comunicação com o sagrado.

Não se sabe ao certo o ano da inauguração da Capelinha. Aos 94 anos, Rosalvo Martins do Espírito Santo diz que foi logo depois do “barulho”, envolvendo Horácio de Matos e Militão Coelho, que disputavam a hegemonia política da região, que a família Arcanjo Ribeiro iniciou a edificação. Sua mulher, Alzira Ribeiro, neta de Quintino e Tertuliana, confirma essa versão e assegura que o local já estava pronto quando das bodas de ouro do avô, celebradas em 1924. Ela destaca o carinho e o cuidado de Lilice e Vivaldo, filhos de José Arcanjo, que deram seguimento a uma missão dada ao pai deles pelo avô.

Quintino Arcanjo era filho do português Marshal Arcanjo Ribeiro, homem de muitas posses e comprador de diamantes e outras pedras preciosas, além de ouro e outros metais. O casamento com Tertuliana de Novais, filha de português com índia – mameluca, portanto – deu origem a esta que é uma das mais tradicionais e numerosas famílias brotenses. O casamento rendeu 13 filhos que espalharam o nome da família por todas as regiões do município, municípios vizinhos e outros estados da federação.

São filhos de Quintino e Tertuliana Archanjo Ribeiro: João, José, Luiz, Francisco, Alexandre, Alzira, Raimunda, Diana, Júlia, Maria das Mercês, Josefa, Justina e Leolina.





Zelo pelo local

Depois da morte do casal, um dos filhos - José Archanjo Ribeiro -, que já ajudava na limpeza e conservação das terras no entorno da Capelinha, assumiu a administração do local que possuía altar com a imagem de Santo Antônio, considerado padroeiro da família. Depois da morte de José Archanjo, seus filhos Vivaldo e Lilice tomaram a obrigação de zelar pela capela, sendo ajudados pela prima Zizinha nos trabalhos de retelhamento e conserto da porta que volta e meia aparecia quebrada.

Apesar de símbolo da cidade, a Capelinha nunca despertou o interesse das administrações públicas municipais. O local sequer mereceu iluminação pública, que destacasse a edificação à noite. Esse descaso serviu para as depredações promovidas por vândalos que chegaram, inclusive a roubar as coroas de ouro que adornavam as cabeças de Santo Antônio e do Menino Jesus. Até mesmo o túmulo onde estão os restos mortais dos precursores da família Archanjo Ribeiro fora violado.

Esta nova iniciativa de se recuperar um patrimônio histórico e religioso – bem imaterial de nossa cidade – chega ao fim da primeira etapa. Na sequência está sendo programada a construção de um mirante, além da escadaria, que facilitará o acesso da população ao local. A ideia é revitalizar a Colina, de modo a que as pessoas a frequentem, com a realização de cafés da manhã, como o que aconteceu em 1999, quando da visita de um grupo de “paulistas” brotenses.






Destaque na Colina

A Capelinha foi restaurada, recebeu pintura e novas cruzes, além de imponente portão de ferro. Os esforços de Lilice e Zizinha ganharam o apoio dos familiares residentes no Araci, Ouricuri, Lagoa Nova e outras comunidades, além dos netos de José Archanjo. A população de Brotas de Macaúbas também se engajou, participando de uma feijoada que arrecadou parte dos recursos ali empregados. Outros parentes e pessoas interessadas nesse resgate – como a dentista Manoela Martins Sodré, mulher do bisneto Aurélio Avelino – também se engajaram nesta campanha.

A Capelinha voltou então a se destacar no alto da Colina do Boqueirão. Branca e azul, inspira paz a quem tem o privilégio de divisá-la do alto da serra como braço de Deus a proteger o povo brotense

NETOS DE QUINTINO E TERTULIANA ARCHANJO RIBEIRO

Filhos de João Archanjo e Maria dos Santos Ribeiro: João Archanjo Filho, Alice, Otávio, Margarida, Ismael, Carmem, Adalberto (Pio), Maria Vitória e Alberto (seu Bila);
De José Archanjo e Virgilina Andrade: Virgilina, Iozinho, Sizenando, Vivaldo, Amenaide, Lourival, Maria de Loudes, Valdelice (Lilice) e Ninita;
De Luiz Archanjo e Zulmira: Maria, Ildete, José, Valter, Atevaldo, Ana e Alice.
De Francisco Archanjo e Laureana: Laureana, Anatália, Maria Bela, Genulina, Teonílio, Adalberto, José, Vanderlino...;
De Alexandre Archanjo e Ricardina Paixão Ribeiro: Catulino, Stanislau, Lindaura, Noêmia e Iolanda;
De Alzira Ribeiro e Justiniano Martins do Espírito Santo: José, Ivo, Aristeu, Quintino, Crescenciano, Altamirando, Alzira (Zizinha), Eustrália, Celeste, Maria de Lourdes e Ivete Marise;
De Raimunda Ribeiro e Francisco: Dodô, Francisca, Alzira, Dona Virgem, Quintino, Preto, Virgílio, Afonso, Manoel, Bela...;
De Diana Ribeiro e Manoel Chaves: Manoel (Chavinho), Dreger, José, Maria de Lourdes, Aurora e Ana Nívea;
De Maria das Mercês e Manoel Cruz: Luiz, Miguel, Osório, Reginaldo Agenor, Josefa, Suzana, Osana, Prisilina, Anália, Preta...;
De Josefa Ribeiro e Roberto Lopes: Moisés, Cardosina, Paulina, José Roberto
De Justina Ribeiro e Militão: Marinho, Cezário, Eurípedes, Cardosina, Emiliana e Cininha;
De Leolina Ribeiro e Ludugério: José, Inácio, Alexadre, Justino, Carlota, Nercina, Amélia e Rita.
Júlia Archanjo Ribeiro não teve filhos

* As fotos desta matéria são de Aureliano Avelino de Souza e Manoela Martins Sodré (reforma da Capelinha); do acervo da família (fotos antigas) e do acervo Aurora (Lola) Viana (visita dos paulistas em 1999 à Capelinha)

4 comentários:

  1. Rosalvo. parabéns pelo Blog.Um espaço de muita informação principalmente pra quem ama Brotas de Macaúbas como eu. Parabéns mesmo. Abraços

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  2. Gostei muito do blog, andei pesquisando sobre a origem de minha família e consegui, sou neto de Dr. Péricles, filho de Ismael, neto de João Archanjo. Parabéns !

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  3. Que maravilha!!! A foto do casal: Quintino e Tertuliana é a mesma que tia Aurora possuía.
    Este blog me fez encontrar mais um primo distante: o esposo da minha amiga Dadá, o Adailton filho da Noêmia.

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