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sábado, 16 de junho de 2012

Ouricuri já vive as emoções do centenário










Terra do ouro prepara-se para celebrar 100 anos no dia da festa do padroeiro, São Pedro



Fogueiras, quadrilhas, muito forró, cavalgada, missa procissão, nova praça e até casamento coletivo são algumas atrações do centenário da Vila de Ouricuri de Ouro, de 20 a 29 deste mês. Deodato Alcântara e Nélia Paixão são os festeiros da festa que tem Jilvan rosa como capitão do mastro. No dia 23 as tradições juninas serão revividas com a escolha da Rainha do Milho.
A programação festiva começa dia 24 pela manhã com a Cavalgada, seguindo-se a feijoada comunitária e o Forró do Psiu Psiu com a banda Banda do Velho Chico que promete muito forró pé de sera e animação. A cavalgada vai envolver outras comunidades circunvizinhas e o trajeto inclui Santana do Ouro, Barreirinho e Lagoa Nova, além do Oricuri onde haverá a bênção de cavaleiros e amazonas.
Nos dias 25 e 26 haverá leilões e torneios esportivos. E no dia 27 a apresentação das bandas Chapada e Estrela de Prata. No dia 28, após a Fincada do Mastro, celebração religiosa e leilões, a festa na praça terá como atrações a dupla Ronaldo & Rangel e o som de Tyago Rybeiro que promete sacudir a galera.
O dia 29, dedicado ao padroeiro, São Pedro, será marcado pelas celebrações religiosas, com destaque para a missa festiva, às 9h. Vale destavar a presença do bispa da Barra, Dom Luiz Cappio que celebrará no dia 26 às 19h, além de dois religiosos filhos do Oricuri – padra Ivan Paixão, dia 25 às 19h30 e padre Denis, dia 27 (mesmo horário).


HISTÓRICO

A Vila de Ouricuri do Ouro surgiu com a chegada de oito famílias portuguesas à região, ficando estabelecidos no lugar dois casais: Pedro Messias e a esposa Maria Messias e Renovato José Antonio com a esposa Possidônia. Logo na chegada, observando a vegetação da época, com muitas palmeiras, deram o nome de Fazenda Licuri ao local onde se estabeleceram. A finalidade era expandir na região a agricultura, com o plantio de milho, feijão, mamona, sendo prioritária a plantação de fumo, além da pecuária.
Do primeiro casal, nasceu Joana Rosa, filha única que casou-se com o coronel José Antônio da Paixão, filho do segundo casal, tornando-se chamar, Joana Rosa da Paixão. O coronel, conhecido carinhosamente como “dindinho Zereco”, recebeu este título durante as lutas do coronel Horácio de Matos no combate aos chamados  “revoltosos”, entre os anos de 1924 a 32. Naqueles anos de guerra, ele abrigava a população nas fazendas Quixaba, Humaitá e Baixinha, protegendo as famílias de represálias da parte do inimigo.
Da união do coronel José Antonio da Paixão e Joana Rosa da Paixão nasceram 12 filhos: Joaquim, João, Valeriano, Severo, Leonora, Jesuína, Ana, Virgilina, Maria, Josefa, Maria da Conceição e Lauriana. Com o crescimento da família, as poucas habitações passaram a ter características de comunidade e assim Joana Rosa da Paixão, por causa de sua devoção católica, organizou a construção de uma capela juntamente, com a finalidade de celebrar missas, reunir em orações, batizar seus filhos e netos e receber todos os sacramentos católicos.
Exatamente há 100 anos, em junho de 1912 a matriarca Joana Rosa da Paixão escolheu São Pedro e Nossa Senhora da Imaculada Conceição como padroeiros, fundando a comunidade de Ouricuri e que mais tarde passou a ser chamada de Ouricuri do Ouro, por causa da riqueza do preciso metal, além de pedras preciosas, encontradas na região.
Os festejos em louvor a São Pedro surgiram com a necessidade da manutenção da igreja, nascendo aí, ao lado das celebrações religiosas, as festas musicadas com sanfonas, pandeiros e violas. Com a morte da pioneira Joana, em 4 de maio de 1940, as famílias ouricurirenses assumiram o comando das comemorações que se mantêm vivas até os dias de hoje.



FILHOS ILUSTRES

Em Ouricuri do Ouro muitos são os nome de destaque. A começar por Severo Rosa da Paixão, comerciante, casado com Cornélia Rosa da Paixão, com quem teve 12 filhos. Líder da comunidade, cidadão idealista, honesto e religioso, dedicou sua vida e seu trabalho ao desenvolvimento de sua terra natal, ao lado de sua esposa. Severo foi o responsável pela organização e animação da comunidade, sendo eleito vereador por 20 anos, presidente da Câmara e candidato a prefeito, não se elegendo por pequena diferença de votos.

A atuação de Severo o fez conseguir inúmeros benefícios para a comunidade, a exemplo do Mercado Municipal, Cemitério, Açude da aguada, Grupo Escolar que foi construído e inaugurado dia 7 de setembro de 1954 , tendo como regente a professora Joana Rosa da Paixão Silva, filha de Severo, catequista e primeira professora, formada em 1949 pelo Educandário Santa Eufrásia na Cidade da Barra.

Ela foi a responsável pela organização de teatro, festas escolares, serenatas, coro da igreja. Assim esta outra Joana  foi a professora das professoras de todos os que estudaram na região, até a sua saída para São Paulo, passando a liderança para Elisete Rosa da Paixão (in memoria), Regina Rosa da Paixão e Marivete Rosa da Paixão que permanece na comunidade até hoje, ensinando, cuidando, animando, inspirando.

A educação na Vila de Ouricuri do Ouro teve início com as professoras Urânia, Morena e Nanoca, todas de Brotas de Macaúbas, contando com a participação de professores leigos da Comunidade, como Marim Ribeiro, Arlinda Rosa Ribeiro, Elenita Neto da Paixão dentre outros. Destacam-se ainda Aurelice Rosa da Silva, Neranita Xavier de Oliveira Paixão, Maria do Carmo Rosa da Paixão, Maristela Rosa da Silva, Nelito Rosa dos Santos, Joelma Cristiane Rosa de Araujo Paixão, Dinalma da Paixão Ramos, Roberto Carlos, Maria do Rosário Rosa da Paixão; Manoelita Alcantara Oliveira, Elenita Neto dos Santos, Margarete Neto da Paixão e os professores em exercício: Marinado Avelino Pereira, João Rodrigues e Lindanita Aureliana Leite.

Na área política, além de Severo Rosa da Paixão, foram eleitos vereadores Osório Neto dos Santos (in memoria), Jaime José da Silva (In memoria), Osmar Ribeiro Neto, Albana Ribeiro Alcântara, Zenilton Ribeiro Alcântara e Deodato Alcântara de Oliveira. Os dois últimos pai e filho também foram eleitos vice-prefeitos, abrindo caminho para o atual vice, Ailton Ribeiro Alcântara.

Na formação religiosa há os padres Denis Oldaque da Paixão Silva e Ivan Rodrigues da Paixão, filhos de conterrâneos.

ÊXODO RURAL

Durante muitos anos, as atividades da vila limitavam-se quase que exclusivamente à agricultura de subsistência e isso provocou um alto índice de êxodo rural. Encravada na Chapada Diamantina, a Vila de Ouricuri do Ouro encontra-se distante da sede de Brotas de Macaúbas 32 Km e da capital 600 Km. Limita-se a norte com Santa Maria, Lagoa Nova e Barrinha; ao Sul Brejo da Fazenda, Lagoa do Capim e Morro Redondo; a leste Santa Cruz e São Frutuoso e a oeste Fazenda Quixaba.



Ouricuri. Terra de Ouro
De Rosalvo Martins Jr em homenagem ao centenário deste belo lugar

De uma palmeira
Nasceu o teu nome
Belo Ouricuri,
Berço de grandes homens
De mulheres generosas
vem a tua glória e heroismo
Do esplendor do teu Santo Padroeiro
A tua fé, teu misticismo.

Ouricuri terra do ouro

De gente boa, maior tesouro

Terra do empreendedorismo

Onde as mulheres de negócio
Nascidas embaixo da velha gameleira
Criaram geração de sucesso grandioso
Figuras de vulto e de honra
Nasceram em teu seio generoso

E se o Paixão do sobrenome
Nos eleva às grandes paixões
Torrão natal e berço de heróis!
Aqui celebramos nesse rincão

Ouricuri terra do ouro
De gente boa, maior tesouro

Assim como o teu solo
Brotou o ouro abundante
Em campos sagrados o labor
Bebem o orvalho das mãos de Deus
Teus filhos esses herois que a edificam
Vivem em ti crenças e amor

Aos teus filhos que partiram
Em busca de novo amanhã
E aos que ficaram na lida
Em ambos coragem e bravura
Guardando tuas tradições


São 100 anos de história
De coragem e nenhum medo
Celebrando o padroeiro
Primeiro Papa, São Pedro
Ouricuri reza e agradece
Dorme tarde e acorda cedo
Terra de homens honrados
Antônio Neto, Zereco e Severo
Muitos outros geradores de um povo
Gente simples, honesta e bela
Todos presentes nesta festa
De alegrias e quimeras

Ouricuri terra do ouro
De gente boa, maior tesouro

domingo, 10 de junho de 2012

Cordelistas do Velho Chico ganham Antologia


Quatro poetas foram selecionados em Brotas de Macaúbas e integram esta obra que será lançada dia 27 de junho em Serra do Ramalho

A culminância do Projeto Semana dos Cordelistas Do Velho Chico está marcada para o dia 27 de julho na Agrovila 9 em Serra do Ramalho. O evento, que reunirá cordelistas, poetas e pesquisadores será no Centro Cultural Luiz Eduardo Magalhães. A coletânea reúne .. cordelistas da região, incluindo quatro de Brotas de Macaúbas - João Gomes de Oliveira, Genuíno Nunes de Oliveira, Rosalvo Martins Junior e Eunice Francisca de Araújo. O projeto é uma realização da Fundifran - Fundação de Desenvolvimento Integrado do São Francisco, com o patrocínio: do BNB Cultural 2011 em parceria com o BNDES, do Banco do Nordeste e Governo Federal. Como coordenador da pesquisa e organizador da antologia, Cléber Eduão, coordenador de Macroterritório/Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura – Sudecult/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia - Secult

Esta primeira edição da Antologia é um dos produtos que vão marcar o Projeto Semana dos Cordelistas. Nasceu com intuito de incentivar a leitura e fortalecer a cultura popular, identificando e divulgando poetas cordelistas que residem na região, além de envolver educadores, estudantes, representantes de pontos de leitura, arcas das letras e pontos de cultura do Território em oficinas, palestras e recitais poéticos. Os cordéis que farão parte do Capítulo I é resultado do mapeamento que foi realizado entre os meses de agosto de 2011 a fevereiro de 2012 nos municípios de Barra, Morpará, Brotas de Macaúbas, Ibotirama, Oliveira dos Brejinhos, Muquém do São Francisco, Paratinga, Bom Jesus da Lapa, Igaporã, Matina, Riacho de Santana, Sitio do Mato, Serra do Ramalho, Feira da Mata, Malhada e Carinhanha. Poetas convidados dos municípios de Morro do Chapéu, Irecê, São Gabriel, Barreiras, Monte Santo, Urandi, Brumado, Anagé, Antônio Cardoso e Iguaraci compreendem o Capítulo II.

MATERIAL IMPRESCIDÍVEL

O número de cordelistas identificados na pesquisa foi 70, sendo 54 do Território Velho Chico e 16 dos Territórios Circunvizinhos. O número de cordéis identificados foi 141, sendo 112 do Território Velho Chico e 29 dos Territórios Circunvizinhos. As oficinas de literatura de cordel envolvendo educadores/as e estudantes das 28 comunidades culturais (pontos de cultura, aldeias indígenas, comunidades quilombolas, assentamentos, grupos de jovens, etc.) tiveram como resultado 35 (trinta e cinco) cordéis que também estarão contidos no livro.

Para os organizadores, “a Antologia Poética dos Cordelistas será um material didático-pedagógico imprescindível para os(as) educadores(as) preocupados(as) com a valorização dessa importante manifestação da cultura popular, que é a literatura de cordel; estará sendo disponibilizada para as bibliotecas dos municípios e comunidades culturais do Território Velho Chico num formato impresso mais reduzido e, no formato digital (com 50 cordelistas e 60 cordéis) no sitio www.fundifran.org e no blog semanadoscordelistas.blogspot.com.

PROGRAMAÇÃO

Na programação da Semana dos Cordelistas em Serra do Ramalho está prevista palestra com o poeta e pesquisador Marco Haurélio, além da apresentação da CIA de Teatro Mistura de Ibotirama, com a peça A Chegada de Lampião no Céu e no Inferno em Cordel. Além do lançamento da Antologia Poética dos Cordelistas do Velho Chico, haverá ainda a entrega oficial da Antologia para as Comunidades Culturais presentes.

O evento contará ainda com recitais poéticos, com a participação de Chico Cordel, Josemário Fernandes, Reginaldo Pereira, Reizinho, Márcia Nascimento, Gilberto Moraes, Jarbas Éssi, Joilson Melo, Tuta, Pedro Antônio da Rocha, José Ornelas, Tio Tony, André Marques, Chico Leite, Silva Dias, Zeca Pereira, Marco Haurélio, Cléber Eduão, Adherrio Lais, Cláudio Pereira, Antônio Regis, Gury Eduão, Carlinhos,  dentre outros.

Outra atração é a Cantoria, apresentando Clendson Barreto (Violeiro), Ivan Carinhanha & Cléber Eduão, Reginaldo Belo, Paulo Araújo & Morão di Privintina, Welton Gabriel, Marcelo Nunes & Gerri Cunha (Cantoria e Forró), dentre outros.

OS POETAS DA ANTOLOGIA

Capítulo I - Poetas do Território Velho Chico contempla de Ibotirama - Josemário dos Santos Fernandes, Márcia Nascimento, Genelisio Oliveira, Gilberto Gessé Moraes Júnior e Jarbas Éssi; de São Gabriel/Ibotirama - Cléber Eduão Ferreira; de Brotas de Macaúbas - João Gomes de Oliveira, Genuíno Nunes de Oliveira, Rosalvo Martins Junior e Eunice Francisca de Araújo; de Oliveira dos Brejinhos - Carlon Castro Cruz, Joilson Santana Melo; de Paratinga - Desidério Franco Rocha e Ulisses Leal de Souza; de Bom Jesus da Lapa - Adenilton Sena Dias (Tuta); de Riacho de Santana - Leôncio Rodrigues da Silva, Cincinato Fernandes Neto, Marco Haurélio; de Igaporã - José Augusto Pereira da Silva; de Matina - João Fogaça Mota (João Barrada); de Serra do Ramalho - Pedro Antônio da Rocha, José de Carvalho Ornelas, Erivaldo da Silva Santos (Peruca), Antônio José dos Santos (Tio Tony); de Malhada - Aparecida Pereira dos Santos, Edivaldo Moreira da Silva e Sergio Cardoso de Souza; de Carinhanha - Honorato Ribeiro dos Santos; de Morpará - Elita Pereira de Matos; de Muquém do São Francisco - Antônio Carlos Boaventura de Aragão, Amanda Laura de Aquino; de Feira da Mata - Anésio Arquimino e Siva; de Sitio do Mato, Vamos Preservar a Natureza e Elvis Augusto Celestino de Souza; de Barra - Pedro Correia Reis

 No Capítulo II - poetas convidados estão Antônio Ribeiro da Conceição (Bule-Bule), Luiz André Marques Dourado (André Marques), Roberto Francisco de Oliveira Leite (Chico Leite), Erismar Andrade Oliveira (Fonzim de Anagé), José Walter Pires, Maviael Melo, Lindomar Sancho Paiva (Pita Paiva), Sebastião Santos Silva, Silvanito Dias e Silva (Silva Dias), José Pereira dos Anjos (Zeca Pereira), Adherio-Lais Alecrim Moitinho (Adherio-Lais), Antônio Regis, Eder Fersant e José Francisco Andrade

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Brotas de luto com a morte de Padre João Cristiano

               Padre João, o holandês brotense que deixa um legado às nossas gerações futuras

     Saida do funeral na sede da Escola Santo Anfonso: comoção em Brotas pela morte do padre João

Clima de emoção e sentimento de gratidão marcam o funeral do holandês que escolheu esta cidade com sua pátria


Uma multidão participou das últimas homenagens ao Monsenhor João Cristiano neste domingo (3) em Brotas de Macaúbas, onde o religioso católico morreu na manhã da última sexta-feira. “Padre João”, como era chamado pelo povo, viveu em Brotas desde o final dos anos 60, exercendo ainda o sacerdócio em Barra do Mendes, Ipupiara, Morpará, Ibipeba, Oliveira dos Brejinhos, Ibotirama e Barra. Nascido na Holanda como Johannes Christiaan Franciscus Appelboom, o ele escolheu esta cidade para sua missão evangelizadora e de promoção social, fundando aqui a Escola Maria Gorete (1971 a 1977) e a Escola Santo Afonso (1978), além de implantar as Comunidades Eclesiais de Base.

O funeral de Padre João foi marcado pelo sentimento da gratidão. O clima de emoção tomou conta de cada uma das pessoas que passaram ao lado do caixão para as últimas despedidas. Lágrimas e depoimentos, sempre ressaltando a grande figura humana e religiosa foram o destaque. Do prefeito Litercílio Nunes ao mais simples dos presentes todos foram unânimes em reconhecer a obra deixada pelo religioso. Um legado de valor incalculável e que deve ser preservado para que as futuras gerações também possam ser igualmente beneficiadas.

           Velório na capela da Escola Santo Afonso: grande sentimento coletivo de pesar e saudade

 Orações na hora do adeus ao padre João durante o sepultamento no Cemitério Municipal de Brotas

     Multidão acompanha o enterro do padre João na manhã do último domingo (3 de junho)

SENTIMENTO DE PESAR

A morte de padre João Cristiano deixou um grande sentimento de pesar entre os brotenses. No velório, realizado na Escola Santo Afonso, na missa de corpo presente, celebrada pelo bispo Dom Luiz Cappio, na igreja Matriz e na missa de despedida, celebrada na capela Santo Afonso, praticamente todos os habitantes de Brotas e muita gente vinda de outras localidades foram dar o último adeus ao religioso. Em cada um deles, o sentimento pela perda era visível.

Como expressou a professora aposentada Ivete Marise, que atuou 20 anos como ministra da Eucaristia, “Brotas e sua gente devem muito a este homem de Deus que dedicou boa parte de sua vida a fazer o bem, dar testemunho de fé e promover principalmente aqueles menos favorecidos”. Pensamento semelhante expressou outra professora, Lélia Porto, que trabalhou com Padre João desde o início de sua jornada religiosa em terras brotenses. Ela recordou desses primórdios, “quando nosso trabalho era visto como coisa de terrorista. Mas o padre João nunca teve medo de nada e seguiu em frente”.

A professora Selma Mutim postou na internet que “o monsenhor João Cristiano foi muito importante na minha formação cristã e de muita gente. Estará sempre em nossas lembranças”. Já Edvaldo Luiz, no Facebook, destaca: um grande homem, uma pessoa muito especial que me ensinou muito sobre a vida. Um exemplo de vida religiosa e dedicação a igreja”.

          Com o povo, padre João assiste à apresentação do Auto de Nossa Senhora

50 ANOS DE SACERDÓCIO

Em dezembro de 2011, Padre João Cristiano foi homenageado pela população pelos 50 anos de vida sacerdotal. Houve almoço na Escola santo Afonso, missa solene na Matriz, coquetel de confraternização e apresentação teatral. O religioso, que já havia atuado como ator na adolescência assistiu com o povo a apresentação do Auto de Nossa Senhora, na estreia do grupo Cultural Cayam-Bola, do qual se tornou padrinho.

No texto da peça, que contava a história de Brotas de Macaúbas, a partir do milagre da vaquinha atribuído a Nossa Senhora, ressaltou-se em versos o trabalho de Padre João:

 Boa noite minha gente/Estamos aqui pra brincar

 Contar uma linda história/E também comemorar

 50 anos de sacerdócio/De uma figura sem par

Monsenhor João adotou essa terra/E aqui exemplo grande deu

Vindo de terra holandesa/Em Brotas se estabeleceu

Com sua fé e trabalho/Muita gente promoveu

A Escola Maria Gorete/E As CEBS implantou

A Escola Santo Afonso/São exemplos de valor

De um homem que sua vida/Toda a Brotas dedicou

Pra homenagear Monsenhor João/Seguidor de Nossa Senhora

Nos 50 anos do seu sacerdócio/Contaremos nesta hora

O milagre da Santa/E um pouco da nossa história”.
                                                                                                                                              Foto arquivo
 Nos 25 anos de sacerdócio, há 25 anos, bolo e homenagens ao padre João

AÇÕES EMERGENCIAIS

Como relata o vice-prefeito Ailton Ribeiro Alcântara em “Comunidades de Base na década de 1970: a formação de lideranças na Paróquia de Brotas de Macaúbas, Diocese de Barra (BA)”, “as primeiras ações emergenciais da Paróquia foram as campanhas de conscientização para a higiene dentro de casa e a prevenção de doenças: eram campanhas de fossas, filtros, chuveirinhos (baldes com chuveiros embutidos)”.

Ele explica que “a Paróquia chegou a fazer uma espécie de fundo rotativo para que as famílias adquirissem filtros. Foram dessas campanhas e das reflexões feitas nos conselhos de comunidades que surgiu a necessidade de criar as equipes de saúde nas comunidades e preparar atendentes de saúde e também as parteiras tradicionais para estas, para se atender as necessidades da área e também ser mais uma comissão para mais pessoas assumirem tarefas na comunidade”.

O documento relata que “o mais grave problema na época era a mortalidade infantil. Muitas crianças morriam do “mal de sete dias” (o tétano), decorrente de infecções causadas no momento do parto, especialmente no corte do cordão umbilical. Para orientar essas equipes de saúde, havia a formação dos atendentes de saúde. Eram realizados cursos de qualificação e, durante a atuação dos(as) atendentes, uma pessoa da Paróquia ficava responsável para acompanhá-los(as) nas comunidades. A Diocese também tinha esse trabalho de saúde e mantinha um(a) atendente em muitas paróquias. As parteiras tradicionais também recebiam cursos e orientações das atendentes; aos poucos, elas iam mudando suas práticas supersticiosas que colocavam em risco a vida das crianças. Um pequeno projeto com recursos externos possibilitou a distribuição de malas com kits completos para as atendentes de saúde e para as parteiras tradicionais”.

E completa: “Percebendo a grande quantidade de crianças não registradas no município, padre João Cristiano tomou a decisão de só batizar crianças que tivessem certidão de nascimento. Essa atitude foi muito criticada na época, como um gesto arbitrário do padre. Porém, isso fez com que muita gente buscasse registrar seus filhos para não perder a possibilidade do sacramento. Hoje a população relembra esse fato e agradece ao padre por ter seu registro de nascimento”.
Na Eucaristia, vida dedicada a Cristo

* As fotos desta matéria são de Luciano Oliveira (as do enterro) e de arquivo