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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Brotas amanhece sob muita chuva


Molhação começou na noite de segunda-feira e agrada principalmente os agricultores

Desde a noite de segunda-feira, 7, que chove bem em Brotas de Macaúbas (Chapada Diamantina) e região. A precipitação, ainda abaixo do esperado para esse mês - considerado bom de chuva -, agrada principalmente os agricultores. A temperatura também caiu consideravelmente, com máxima de 20 graus e mínima de 15 graus.
De acordo com a agência Climatempo vai continuar chovendo bem pelo menos até sábado. O tempo deve ficar fechado até quinta-feira, com chuvas mais fortes à noite. A partir de sexta-feira o sol deverá a parecer, mas há previsão chuvas mais fracas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tempos de ouro do Carnaval em Brotas








Brotas revela a alegria de seus foliões em um tempo onde o que contava era o alto astral
De São Paulo, o amigo Carlos Humberto e sua esposa Ivani enviaram verdadeiras preciosidades do Carnaval de outrora em Brotas de Macaúbas. São registros do bloco Ouro, farras e ressacas pós-carnavalescas. As fotos mostram toda a alegria dos foliões que curtiam a festa no maior alto astral.









Vamos identificar nesses registros pessoas com quem convivemos em algum momento de nossas vidas...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Jornal paulista destaca chef brotense


Em reportagem de Luiz Américo Camargo, jornal o Estado de S. Paulo dá as receitas de Maria Raimunda da Anunciação
Não comece uma conversa com Raimunda Maria da Anunciação perguntando quais pratos ela sabe fazer. Porque ela tem em seu repertório nada menos do que 400 receitas, todas catalogadas, explicadas com rigor, em notação de alta gastronomia: com tempos, quantidades, temperaturas e outros procedimentos meticulosamente detalhados. Também não inicie a abordagem tratando de panelas e fogões. Raimunda, 43 anos, não é uma cozinheira de madame, mas uma chef, ou uma subchef, como ela prefere, com notável intimidade com tecnologias de cozinha.
Ela trabalha há 14 anos para o gourmet italiano Maurizio Remmert, já citado em outras edições do Paladar e do Estado - além de dispor de uma cozinha tão bem equipada quanto a de um moderno restaurante, ele é pai da primeira-dama da França, Carla Bruni. Mas a mestre-cuca reconhece que foi de 2002 para cá que levou seus dotes a níveis além do âmbito doméstico. Foi quando começou a utilizar equipamentos como Thermomix, Pacojet, termocirculador e outros mais.
Cozinhar a olho, como ela fazia quando era menina em Brotas de Macaúbas, no sertão baiano, não dá mais. ''Mesmo quando estou na minha casa, usando só o fogão, eu peso tudo, acerto a temperatura, controlo os minutos'', conta. Mas confessa que é muito melhor quando ela executa o vasto caderno de receitas de Remmert manejando todas as engenhocas. Raimunda opera o Thermomix como se fosse uma batedeira (na verdade, acha mais fácil). Programa o forno combinado coordenando minutos, graus, convecção, vaporização, como quem esquenta água para o chá. Trabalha com espantosa naturalidade com o cozimento a vácuo e a baixa temperatura. Faz tudo consultando termômetros e cronômetros, o tempo todo. Sendo assim, diante de tantas possibilidades culinárias, o que preparar, o que sugerir aos leitores do Paladar?
''Decidi fazer três coisas. Um creme de alho, para entrada; uma zuppetta de frutos do mar; e uma pera cozida sob vácuo'', diz. ''Aí dá para mostrar um pouco de cada técnica.'' Mesmo em um prato aparentemente mais tradicional, como a zuppetta, tudo é cozido separadamente: o feijão, a cevadinha, os moluscos, os camarões. ''Não é só ir jogando na panela. Cada ingrediente tem seu ponto de cozimento ideal. Só no fim se junta tudo.'' Mas as perninhas de lula ela prepara de forma especial: numa sorveteira, com água e sal, para serem cozidas a frio. Zuppetta? Parla italiano, Maria? ''Não, mas conheço várias palavras. E não esqueço da primeira que aprendi: rosmarino, que é alecrim'', explica.
Mas será que a cozinheira tem consciência de que domina um conhecimento que poucos profissionais de restaurante possuem? ''Já me falaram isso. Só que, para mim, é cozinhar, do mesmo jeito. Quem tem bom tempero sempre faz comida gostosa, não importa onde. E faz bem menos sujeira'', diz. Dos aparelhos todos, ela reconhece que só não usa muito bem o Pacojet. ''Exige muita força para abrir, eu não consigo.'' E computador? ''Não gosto muito. Minha filha, de 15 anos, insiste para eu aprender. Mas prefiro estas máquinas aqui.''
Raimunda, que elege a brandade de bacalhau como prato preferido, lembra do dia em que criou coragem e preparou para o patrão gourmet um prato de sua terra, dos tempos dos almoços familiares na Bahia. ''Foi uma farofa de couve, com carne-de-sol. Ele adorou e já começou a ter idéias.'' A farofa foi incorporada ao cardápio da casa e a carne-de-sol, hoje, é feita lá mesmo. Só que dentro de um moderno desidratador, é claro.
Creme de alho com trufas e pignoli
4 porções
1 hora
Ingredientes
2 litros de caldo de legumes
2 litros de leite desnatado
6 cabeças de alho (dentes descascados e cortados ao meio)
200g de batata
40g de pignoli
4 dentes de alho
Sal a gosto
Azeite aromatizado de trufa
Lascas de trufa
Preparo
Ferva o leite com os alhos descascados e cortados ao meio. Acrescente as batatas cortadas em cubinhos e cozinhe por 35 minutos em fogo brando, mexendo constantemente para que não grudem na panela. Coe bem, retirando o leite. Reserve o alho e a batata. Torre o pignoli no forno, a 175°C, até que fique marrom claro. Reserve. Refogue os quatro dentes de alho amassados em pouco de azeite extravirgem. Junte a batata e o alho cozidos e deixe por alguns minutos. Adicione uma concha de caldo de legumes e o pignoli. Mexa delicadamente. Em seguida, passe o preparo pelo Thermomix (ou pelo liquidificador). Acerte o tempero e, se necessário, acrescente caldo de legumes até virar um creme consistente. Volte o líquido à panela e deixe esquentar, sem deixar ferver. Sirva em tigelas quentes com lascas de trufa e, se quiser, um fio de azeite aromatizado.
OUTRAS RECEITAS
'Pêras cozidas sob vácuo e goiabada' e 'Zuppetta di frutos do mar' preparada pela cozinheira Raimunda Maria da Anunciação.
Pêras cozidas sob vácuo e goiabada
Rendimento: 6 porções
Ingredientes
6 pêras
goiabada a gosto
Preparo - Descasque as pêras, corte-as ao meio e retire as sementes. Coloque-as em saquinhos plásticos individuais e feche sob vácuo. Leve os saquinhos ao forno (combinado ou Termocirculador), para cozimento em baixa emperatura (99°C), por 20 a 30 minutos. Cuidado com o ponto de maturação, pois pêras maduras cozinham rapidamente. Verifique a consistência. Resfrie as pêras embaladas por dez minutos. Sirva as pêras cortadas com o suco que ficou no saquinho e goiabada a gosto. Dica da Raimunda: Prepare as pêras quatro dias antes de servir para que os aromas se intensifiquem com o vácuo.
Zuppetta di frutos do mar com cevadinha e feijão branco
Rendimento: 4 porções
Ingredientes
400g de cevadinha integral
2 ½ talos salsão
½ cenoura
300g de feijão branco
24 camarões médios
400g de lulas limpas
2 kg de vôngole com casca
8 vieiras grandes (opcional)
8 idako (minipolvo, opcional)
8 perninhas de lulas (opcional)
1 pimentão amarelo
4 tomates
2 cascas de limão
4 filés de anchovas no azeite
4 dentes de alho
1 pimenta dedo de moça
1 maço de salsinha
Preparo - Deixe o feijão branco de molho por 12 horas. Depois cozinhe-o em água levemente salgada com pouco alho e sálvia e reserve-o a 40°C na própria água. Rale ½ talo de salsão, ½ cenoura e ½ cebola e cozinhe-os com 300g de cevadinha por aproximadamente 40 minutos. Filtre a água e reserve quente no simmer. Tire a casca e limpe os camarões. Limpe as lulas e corte-as em anéis. Reserve. Prepare o vôngole com vinho branco e pimenta-do-reino estufando em panela coberta. Não coloque azeite de oliva. Descasque e reserve os vôngoles e filtre a água que deve ser reservada quente no fogão. Cozinhe as perninhas de lula a frio em sorveteira com água salgada a 3%, trocando a mesma a cada 20 minutos. Faça três passagens de 20 minutos cada. Reserve. Corte um pimentão amarelo picado fino. Prepare duas xícaras de tomate concassé. Separe duas cascas de limão. Lave e seque os filés de anchova e pique-os finamente. Descasque quatro dentes de alho e pique a pimenta dedo de moça bem fininha. Prepare uma xícara de salsinha picada. Refogue primeiro e rapidamente as anchovas em azeite de oliva, alho, parte do salsão e a cenoura ralados e a pimenta vermelha até se amalgamarem bem. Junte as lulas e deixe refogar um pouco. Junte as cascas de limão, o vinho branco e reduza 50%, deixando pegar sabor por seis a oito minutos em fogo baixo. Acrescente a água dos vôngoles, pouca água da cevadinha, o pimentão amarelo e o tomate concassé. Cozinhe em fogo baixo e tampado por 20 minutos. À parte, cozinhe as vieiras em panela antiaderente por 30 segundos de cada lado, corte em duas metades e reserve. Quando a zuppetta estiver quase pronta, acrescente os camarões, a cevadinha e pouco feijão branco. Desligue, misture, junte os vôngoles, as vieiras, os idako, as perninhas de lula, muita salsinha picada e 1 colher de vinagre balsâmico. Deixe amalgamar bem, completando se necessário com a água da cevadinha e ou do feijão branco, pois a zuppetta tende a engrossar com o tempo. Acerte os temperos. Sirva aquecida a 65°C em pratos fundos e preaquecidos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Do primeiro diamante à energia eólica

Brotas de Macaúbas, município de valor e cultura, tem muita história para contar
Brotas de Macaúbas desponta na Chapada Diamantina como o local onde, em 1842, foi encontrado o primeiro diamante da região – na antiga vila de Chapada Velha -, promovendo a grande corrida de garimpeiros do Tijuco, nas Minas Gerais, para as Lavras Diamantinas. O município também produz cristal de rocha em abundância e foi, outrora, rainha do fumo em corda – o ouro negro - que trouxe riqueza à região. Hoje desponta como uma das principais centros da energia eólica, sendo pioneira na exploração desse tipo de energia limpa, que começa a se instalar na Bahia.
Brotas de Macaúbas fica a 590 quilômetros de Salvador e por diversas vezes figurou no cenário político nacional. No início do século passado, quando das contendas entre os coronéis Horácio de Matos, nascido em Chapada Velha, e Militão Coelho, de Ipupiara/Barra do Mendes. A disputa entre os dois chefes políticos conflagrou a região e envolveu ainda diversas cidades da Chapada.
Em 1971 – anos de chumbo da ditadura militar – a população local assistiu a caçada e o assassinato do capitão do Exército e guerrilheiro Carlos Lamarca que tombou, juntamente com um filho de Brotas, José Campos Barreto, o Zequinha, no povoado de Pintada (Ipupiara). Naquela época, nosso município viveu dias de muita tensão e terror, especialmente na comunidade de Buriti Cristalino, onde as forças do Exército mataram também Otoniel Barreto e balearam Olderico Barreto, irmãos de Zequinha, além de torturarem selvagemente o pai dos três, José Campos Barreto.
Brotas de Macaúbas hoje é administrada pelo Partido dos Trabalhadores – prefeito Litercilio Nunes de Oliveira Júnior -, depois de mais de 40 anos de dominio de forças conservadoras. Antes, o município viu a política dos coronéis e dos intendentes escolhidos de arma em punho, a ditadura Getúlio Vargas impor um interventor – Nestor Rodrigues Coelho -, nos anos 40 e 50, até a eleição de Osório D´Oliveira Rosa, o primeiro prefeito eleito pelo voto direto do povo, no início dos anos 50.
CAIAM-BOLA
Pelos registros orais, pois não existe nada oficial quanto a isso, o primeiro nome de Brotas de Macaúbas foi Caiam-Bola, provavelmente de origem indígena. Além dos índios, que desapareceram na forma original, mas que deixaram a sua marca nos traços de nossa gente, os primeiros habitantes eram garimpeiros e pessoas que trabalhavam na extração e comercialização de diamantes. Esses primeiros habitantes, muitos vieram da Portugal e suas colônias, em especial do Arquipélago de Açores, de onde chegou um dos maiores legados culturais e religiosos da região, que é a devoção ao Divino Espírito Santo.
A cidade surgiu e cresceu em torno da capela devotada a Nossa Senhora. O pequeno povoado de origem, mais tarde elevado à condição de freguesia, tendo como padroeira Nossa Senhora das Brotas. Em 1878, por Lei Provincial, seu território é denominado Vila Agrícola de Nossa Senhora de Brotas de Macaúbas.
Há notícias sobre a existência do lugar desde 1792 com o nome de Brotas. Mas a povoação em torno da igreja ganhou força com o milagre da vaquinha.
Conta-se que a filha de um fazendeiro ficou muito triste com o sumiço de uma bezerrinha, presente do pai, levando a mãe a fazer uma promessa de que mandaria erguer uma capela para louvar Nossa Senhora caso o animal fosse encontrado. Meses se passaram e a menina definhava, até que caçadores e vaqueiros encontraram-na, já uma vaquinha e com um bezerrinho no local chamado Boqueirão de água pura e boa e da qual não se sabia a existência até então. A água cristalina - que abasteceu a população por muitos anos - e o capim farto no local salvaram a vida da bezerrinha perdida. Além da capela, o pai da menina também doou as terras ao derredor que foram sendo povoadas até os dias de hoje.
A partir do milagre, nascia a florecente Vila Agrícola de Nossa Senhora de Brotas, que mais tarde foi elevada à condição de município, incluindo terras hoje pertencentes a Ipupiara, Morpará, Barra do Mendes, além da vila de Corrente, hoje Bom Sossego, cedida a Oliveira dos Brejinhos.
O município de Brotas de Macaúbas, que era extraordinariamente grande e tinha sete mil quilômetros quadrados, indo de Morpará (margem do Rio São Francisco) até Barra do Mendes, hoje possui 2.372,44 km2. 
DADOS DO IBGE
O munícipio de Brotas de Macaúbas foi criado em 1882 com o nome de Vila Agrícola de Nossa Senhora de Brotas de Macaúbas. Por causa de sua localização na zona fisiográfica da Chapada Diamantina, região mineralógica por excelência, despertou e atraiu a ambição de garimpeiros, vindos principalmente das Minas Gerais e de portugueses em sua maioria oriundos da Ilha de Açores.
Nasceu então um povoado que foi elevado à freguesia com o nome de Macaúbas e tendo como padroeira Nossa Senhora das Brotas. Em 1878, por Lei Provincial, foi denominado Vila Agrícola de Nossa Senhora de Brotas de Macaúbas, ou simplesmente Brotas de Macaúbas.
O topônimo foi a adoção do nome da padroeira (Nossa Senhora das Brotas), acrescido de Macaúbas (vocábulo tupi que significa o fruto de macaba).
Em 1931, simplificou-se o topônimo para Brotas, e posteriormente, em 1943, para Brotas de Macaúbas.
Gentílico: brotense