quarta-feira, 10 de outubro de 2012

CORDEL CONTA VIDA DE BISPO


 
DOM LUIZ CAPPIO

O bispo guerreiro

contra a transposição

da maldade

                                                                                                       Autor: Rosalvo Martins Júnior

                                                                                                         Brotas de Macaúbas - Bahia

Vou pedir a proteção

Da santa Virgem Maria

Pra contar para vocês

A história da magia

De um bispo arretado

Homem culto e letrado

Que tem aqui na Bahia

 

Ele luta pelo povo

É contra a transposição

Das águas do Velho Chico

Pra ele coisa do cão

História que vou relatar

Para todos proclamar

É só prestar atenção

 

Foi numa greve de fome

Uma é história de verdade

Que o bispo se transformou

Para toda a eternidade

No grande bispo guerreiro

Justo, bravo e altaneiro

Contra a transposição da maldade

 

Ele nasceu em São Paulo

Lá em Guaratinguetá

Veio para o São Francisco

O povo evangelizar

Desde que usava sandálias

Carregando poucas tralhas

Como frei a proclamar

 

Dom Luiz Flávio Cappio

Assim ele foi batizado

Na fé em Cristo Jesus

E nunca mudou de lado

Sempre junto com a fé

Com Maria e com José

E Jesus crucificado

 

Ele é filho de imigrantes

De origem italiana

Mas se fez frei consagrado

Pela ordem franciscana

Onde frei Luiz se destaca

Feito ouro, feito prata

Vejam que coisa bacana

 

Jovem rapaz estudado

Formou-se em economia

Mas queria ser engenheiro

E estudou com alegria

Em seminário do Rio

Petrópolis terra de frio

Concluiu Teologia

 

Após sua ordenação

Foi para a Periferia

Da cidade de São Paulo

Antes de vir pra Bahia

Na Pastoral Operária

Aprendendo coisa rara

Se destacou dia a dia

 

Veio com a roupa do corpo

Para pregar no Nordeste

Isso tudo aconteceu

Nos anos setenta e sete

E no sertão nordestino

Ele se fez peregrino

Por isso faz e acontece

 

No Nordeste frei Luis

Descobriu coisa bacana

Que apesar da pobreza

Essa gente soberana

Cultiva a fé e a esperança

Velho, jovem e criança

Profunda riqueza humana

 

Uma forte ligação

Ele tem com São Francisco

Por isso veio parar

À beira do Velho Chico

Onde o povo o considera

E nunca fica na espera

Pelo trabalho bonito

 

Para ele o Velho Chico

Imita o santo do seu nome

Nasce rico e dá aos pobres

Matando a sede e a fome

É o pai e a mãe de todos

Não deixa ninguém bobo

Sejam mulheres ou homens

 

Sempre diz que se o rio é vivo

Bem para o povo há de ser

Mas se doente ou se morto

Fará toda gente sofrer

Por isso a luta incessante

Convoca a todo instante

Para o rio socorrer

 

Ao fazer 48 anos

Fez uma peregrinação

Da nascente à foz do rio

Prestando muita atenção

Em todos os seus problemas

Desde o maior aos pequenos

Numa ecológica missão

 

Falando a linguagem simples

Como se identifica o povo

Disse que o rio é presente

De Deus e nunca um estorvo

E a missão coletiva

Sem descanso, sem guarida

É preservar, isso é novo

 

Plantou um milhão de árvores

Nesse grande desafio

Dando exemplos concretos

E não deixando o vazio

Criando novos guardiões

Cidadãos e cidadãos

Os defensores do rio

 

A experiência ecológica

Logo lhe trouxe um norte

Ele escreveu grande livro

Que fala de vida e morte

Desse rio importante

Que está a todo instante

Entregue à própria sorte

 

Iniciou grande luta

Com missão religiosa

Mostrando pra toda gente

Idéia maravilhosa

Pois precisa preservar

E nunca mais depredar

Essa joia preciosa

 

Tornou-se bispo da Barra

Importante diocese

Aumentando a sua ação

Trabalho de catequese

Foi setenta e sete ano

Que num gesto tão humano

Ele assumiu essa messe

 

Como bispo teve voz

Pra denunciar o estrago

Que fizeram contra um rio

Que corta todo nosso estado

E contra a transposição

Sem disse um grande não

Postou-se do nosso lado

 

Fez uma greve de fome

Para chamar a atenção

Contra a agonia do rio

Que não pode morrer não

Mas isso pode acontecer

E todo mundo vai ver

Com essa transposição

 

É que o governo pretende

Fazer o que já foi dito

Tirando a água do rio

Só para fazer bonito

Nesse sertão tão esguio

Onde não se sente frio

Mas isso é muito esquisito

 

Em sua greve de fome

Desafiou até Lula

Ex-presidente que o povo

Idolatra e não anula

Mas o bispo deu seu recado

Sua queixa, o seu lado

Sua opinião, sua bula

 

Com o presidente Lula

Ele falou mais de uma vez

Expondo seus argumentos

E explicando o que fez

Na luta pela defesa

Dessa nossa grande riqueza

Do rio com altivez

 

Mesmo contra o presidente

Que ele até deu apoio

Dom Luiz teve a seu lado

Grande reforço do povo

Em sua greve de fome

Ele não citou o nome

Mas denunciou o estorvo

 

A greve foi interropida

Após selado o acordo

Com ministro Jaques Wagner

Que hoje governa o povo

E como nada foi feito

Muita falta de respeito

À greve voltou de novo

 

A decisão federal

De fazer a transposição

Com ajuda do Exército

Ao bispo agradou não

Ele retomou o protesto

E com esse nobre gesto

Nem comeu mais o feijão

 

A nova greve de fome

Não foi gesto solitário

Pois teve o apoio de todos

De artista e de operário

Dom Luiz mais uma vez

Reagiu com altivez

Se fez líder libertário

 

Os movimentos sociais

Mostraram que têm valor

Apoiando o religioso

Nesse seu novo labor

Mas o governo federal

Sem querer falar de mal

Nem mesmo assim recuou

 

A greve de fome pra ele

Foi experiência divina

De que a morte é passagem

E não o fim, uma sina

Pois é morrendo que se nasce

Na vida eterna renasce

Não é coisa pequenina

 

Gastaram muitos milhões

Pra sangrar o Velho Chico

Gritaram aos quatro ventos

Que era o que tava escrito

Mas tá tudo lá abandonado

Sem nenhum bom resultado

Isso eu não acho bonito

 

Dom Luiz denunciou

Que essa transposição

Era dinheiro perdido

Não faz bem para a nação

Nem a esse povo sofrido

Nesse labor tão doído

Pois somos todos irmãos

 

A luta de dom Luiz

Que o governo não deu trela

Teve o apoio do céu,

De frei Boff e Sabatela

Elba Ramalho e Esquivel

Nós fizemos escarcéu

Em bairro chique e favela

 

Após um mês de jejum

Mas com muita oração

Dom Luiz foi internado

Ao lado de seus irmãos

Que unidos protestavam

E a todos proclamavam

Contra a tal transposição

 

Muito fraco e deprimido

Celebrou sua missão

36 anos de sacerdócio

Junto ao povo do sertão

Finda a greve de fome

Mas o povo pouco come

E a luta acaba não

 

A vida de Dom Luiz

Esse bispo pobrezinho

Está virando cordel

E sonho do ribeirinho

De que o rio melhore

Mais piscoso se transforme

E não definha aos tiquinho

 

Queremos que o povo pense

Nesse momento estanque

Que a causa ecológica

É uma luta gigante

Pela vida e contra a morte

Contra o azar pela sorte

Desse rio importante

 

Durante a greve de fome

Desse líder ribeirinho

Ele respondeu aos bispos

Como muito jeito e carinho

Quando a razão se estingue

Mesmo que ela respingue

A loucura é o caminho

 

Dom Luiz seguiu para a Barra

Pregando contra a injustiça

Clamando atenção do mundo

Numa luta sem preguiça

É contra a transposição

Não arredou posição

Não vai deixar essa liça

 

Esse seu grito ecoou

Pelos prados e gerais

De todo canto do mundo

E o prêmio pela paz

Em Bruxelas recebeu

Reconhecimento mreceu

Da Christi Internacional

 

Foi na Romaria das Águas

Pros lados de Sobradinho

Que o prêmio foi entregue

A esse heroi ribeirinho

Seguidor de São Francisco

Dos santos o mais bonito

E também mais pobrezinho

 

Depois do prêmio da paz

Prestem muita ação

Veio a Fundação Kant

Que é do povo alemão

Premiar a Dom Luiz

Que a Deus sempre bemdiz

E que do mundo é cidadão

 

Do Brasil com todo mérito

A esse padre impoluto

Que se fez frei franciscano

E que é bispo muito justo

Ganhou com mérito e louvor

Pois ouviu-se o seu clamor

O Troféu João Canuto

 

E o dinheiro do prêmio

Ele aplicou com lisura

E um memorial aos mártires

Ele controi com bravura

Pra que jamais se esqueça

E que ninguém esmoreça

Na luta contra a ditadura

 

O bispo hoje é respeitado

Por ser pessoa bacana

Fiel devoto de Cristo

Com a força franciscana

De Ipupiara a Morpará

Barra e Guaratinguetá

Da Brotas a Ibotirama

 

Aqui termino meus versos

Muito feliz comovido

Por ter conhecido Dom Luiz

Esse bispo destemido

Que sem nunca recuar

Ainda muito ainda fará

Por nosso povo sofrido

   

Para Dom Luiz, o Velho Chico Imita o santo do seu nome, pois nasce rico e dá aos pobres
 

* Este cordel está publicado na Antologia dos Cordelistas do Território do Velho Chico

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Desenvix inaugura parque eólico em Brotas de Macaúbas




 
O parque tem 95 megawatts de capacidade instalada e um total de 57 turbinas eólicas em operação

A Desenvix Energias Renováveis S.A., empresa controlada pelo Grupo Engevix, pela norueguesa SN Power e pela FUNCEF, inaugurou oficialmente nesta quinta-feira, 20 de setembro, as Centrais Geradoras Eólicas Macaúbas, Novo Horizonte e SEABRA, que, juntas, constituem o Parque Eólico de Brotas de Macaúbas.

O Parque Eólico de Brotas de Macaúbas é o maior empreendimento detido integralmente pela Desenvix, atualmente em operação, com investimentos de R$ 425 milhões. O complexo tem 95 MW de capacidade instalada e um total de 57 turbinas eólicas em operação. “A geografia privilegiada da Bahia, a presença de indústrias construtoras de aerogeradores no Estado e os estímulos ao investimento privado oferecidos pelo Governo da Bahia foram determinantes para o sucesso do empreendimento”, comenta o sócio-diretor Presidente da Desenvix, José Antunes Sobrinho.

“O potencial eólico baiano, aliado às condições oferecidas pelo nosso governo, fazem da Bahia um Estado protagonista na geração de energias limpas. Temos, em funcionamento ou em fase de implantação, cerca de 60 projetos, que abrangem praticamente toda a cadeia produtiva – da fabricação de equipamentos à geração de energia. Até 2015, estaremos integrando à rede 1,57 GW a mais de energia elétrica graças à força dos ventos”, destaca o Governador da Bahia, Jaques Wagner.

A Desenvix tem investido continuamente em projetos de energia limpa nos últimos cinco anos, com projetos em desenvolvimento que, somados, alcançam 3.168 MW de potência instalada, dos quais 1.406 MW próprios. “Procuramos a diversidade geográfica em nossos projetos, agregando conhecimentos importantes sobre o potencial energético brasileiro e permitindo o aproveitamento de oportunidades de negócios em todo o território brasileiro”, conclui Sobrinho.

O Parque Eólico Bahia está localizado no município de Brotas de Macaúbas, na região central da Bahia. O empreendimento é constituído por três usinas eólicas, cada uma com 30,0 MW de potência instalada – UEE Macaúbas, UEE Novo Horizonte e UEE Seabra, totalizando 90,0 MW. Trata-se do maior empreendimento atualmente em andamento detido integralmente pela Desenvix, com investimentos da ordem de R$400.000 mil.

No total, o Parque Eólico Bahia possui um potencial energético de 300,0 MW, subdividido em 10 usinas com 30,0 MW cada, para as quais já possui a Licença Ambiental de Localização emitida pelo IMA.
 
INÍCIO EM 2007
O desenvolvimento do projeto do Parque Eólico Bahia teve início em 2007 e se estendeu até final de 2009, ano em que ocorreu o primeiro leilão exclusivo de energia eólica do Brasil (2º LER). A empresa vendeu neste leilão 34,0 MW médios de energia, sendo 13,0 MW médios da UEE Macaúbas, 11,0 MW médios da UEE Seabra e 10,0 MW médios da UEE Novo Horizonte a um preço de R$139,99/MWh (data base dezembro de 2009). Esta energia será contratada pela CCEE como energia de reserva por um prazo de 20 anos.

Para a implantação do empreendimento, a Desenvix contratou a empresa Alstom, responsável pelo fornecimento e montagem dos aerogeradores e as conexões elétricas entre as torres e subestações. A Engevix será responsável pelas obras civis e implantação das linhas de transmissão, além de sua integração à rede básica. Referido contrato possui valor de R$389.300 mil.

Os trabalhos de mobilização e liberação do canteiro de obras foram iniciados logo após a homologação do resultado do leilão, e o cronograma de implantação prevê o início da operação comercial para maio de 2011 para os 60 MW iniciais e junho de 2011 para os outros 30 MW. Ao todo serão implantados 57 aerogeradores com 1,67 MW de potência nominal. A estrutura de operação e manutenção do parque eólico será conduzido pela ENEX e pela Alstom nos primeiros 10 anos.

Com relação ao licenciamento ambiental, o Parque Eólico Bahia possui Licença de Localização, emitida pelo Instituto do Meio Ambiente, órgão ambiental do Estado da Bahia, com validade até 14 de julho de 2015.

GEOGRAFIA PRIVILEGIADA

No alto da Serra da Mangabeira, onde está instalado o parque, o vento tem velocidade média de 25 quilômetros por hora, superior aos 11 quilômetros necessários para acionar um aerogerador, o que torna o local um dos melhores do estado com potencial para gerar energia por intermédio do vento.

“A geografia privilegiada da Bahia, a presença de indústrias construtoras de aerogeradores e apoio do governo foram determinantes para a instalação do parque eólico. Esse é o nosso maior parque em funcionamento no país”, afirmou o presidente da Desenvix, José Antunes Sobrinho.

As torres têm 80 metros de altura, equivalente a um prédio de 20 andares e podem ser vistas a uma distância de 90 quilômetros por quem passa pela BR-242, na altura de Brotas de Macaúbas. Toda energia produzida pelos equipamentos é armazenada na subestação, responsável pela distribuição energética para todo Brasil.

EMPREGO E RENDA

Além de ampliar a capacidade energética do Brasil e proporcionar uma energia limpa, o empreendimento, que iniciou a operação em julho deste ano, beneficiou os moradores da região, com geração de emprego e renda. Durante a construção do complexo eólico foram empregadas 600 pessoas, sendo 450, mão de obra local.

“Antes nós não tínhamos oportunidade de trabalhar. Era um emprego aqui, outro ali, e levávamos a vida desta maneira, passando por muitas dificuldades. Este parque eólico trouxe muita coisa boa pra gente, emprego, energia e água encanada, que nossas casas não tinham”, explicou o presidente da Associação de Pequenos Produtores de Brotas de Macaúbas, Vandival de Jesus Santos.

O Desenvix Bahia, que tem energia suficiente para abastecer uma população de mais de 350 mil habitantes, é o segundo inaugurado na Bahia. O primeiro foi o complexo eólico Alto Sertão I, em julho deste ano, e abrange os municípios de Caetité, Igaporã e Guanambi, na região sudoeste, considerado o maior da América Latina, com capacidade para fornecer energia a uma cidade com aproximadamente dois milhões de habitantes.
(Fotos de Manu Dias/Secom)

sábado, 15 de setembro de 2012

Brotenses se encontram em São Paulo

 
 















Centenas de pessoas marcam a data da Padreira, Nossa Senhora de Brotas, com amizade e lembranças das terras brotenses
 
Como já acontece há mais de três décadas, os brotenses que moram em São Paulo se encontraram na Igreja de São João Maria Vianney, Praça Cornélia, Em São Paulo para comemorar o dia da padroeira, Nossa Senhora de Brotas. Este ano a festa homenageou duas brotenses – Preta e Bela -, filhas do leiloeiro Titá (in memorian) que residem em São Paulo.

O Encontro dos Brotenses foi idealizado por um grupo de pessoas, tendo à frente as incansáveis Alzira e Nevinha Bastos. O movimento começou forte e mantém-se firme até os dias de hoje, sempre reunindo pessoas e promovendo o intercâmbio sócio-cultural. Há até uma publicação especial – O BROTENSE – que reúne artigos, crônicas e poesias, escritos por pessoas que moram em São Paulo e também pelas de Brotas de Macaúbas.

Na edição de O BROTENSE, que é distribuído gratuitamente, para homenagear Preta e Bela, a foto de Titá e Idalina, figuras ilustres do povoado de Santana e pais das homenageadas. Para todos os brotenses (presentes ou não em São Paulo), o encontro mais uma vez foi marcado pelas lembranças da Bahia, sempre com um olhar especial para Nossa Senhora de Brotas.






 
REENCONTRO

Eu estive em São Paulo, pela primeira vez neste encontro. Foi com muita emoção que pude falar na igreja (por sinal, um belíssimo local de orações). Ali, pude também homenagear Preta e Bela, falando para o público presente. Na oportunidade, reencontrei grandes amigos – pessoas que marcaram a minha infância e juventude – e que hoje residem em São Paulo.

Foram muitas pessoas especiais, mas vou citar apenas algumas com as quais conversei e trocamos lembranças da terrinha: Teodoro Martins e seu filho, Delsuc Queiroz, Dona Zelina Barbosa, Noêmia de Valtin, Dedé e Noêmia de Henrique, as filhas de Antônia – minhas primas Zefa, Cleusa e Dadá -, Amarilis (Péu), Glória de Zé Viana, Nevinha e Alzira Bastos, Itamara, Bilu, Marvam Campos e Gean Santos, Zeca da Bia e muito mais.

Foram momentos muito especiais, pelos quais agradeço a Genival e Gil, casal que me recebeu em sua casa com muito carinho e atenção. Além dos bons papos na porta da igreja, quando revi amigos e parentes, estive ainda em outros locais paulistas: a casa de Alessandra, os bares de Cleodon e Fabiana e o Espaço Kaktus, onde aconteceu a festa realizada pela galera jovem (Joelma Lima à frente), com apresentação dos artistas da terra, Thyago Ribeyro e Ismael Oliveira.


Brotas celebra a padroeira

Em Brotas de Macaúbas os brotenses mantiveram a tradição, celebrando mais uma vez no dia 8 de setembro, a festa de Nossa senhora de Brotas, padroeira da cidade. O frei Joel, cuja ordenação diaconal está marcada para o dia 27 de outubro, ao lado do pároco frei Moisés comandaram aa  celebrações religiosas. As novenas foram muito animadas, tendo leilões na porta da igreja Matriz.
A missa solene, às 9h do dia 8, reuniu centenas de fiéis – alguns vindos de diversas partes do país. Entre os destaques da festa está o andor de Nossa Senhora de Brotas, um trabalho primoroso realizado por Frei Joel e sua mãe e que encantou a todas as pessoas presentes a este momento religioso que é uma tradição secular em  nossa cidade.

* As fotos da Missa em São Paulo são do competente Luciano Oliveira, que em breve vai lançar a cobertura completa cdesta festa em DVD.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Exposição e livro revelam os Filhos do Vento



Projeto da Fundação Gilberto Salvador estreia hoje (6) em Brotas de Macaúbas e daqui vai para o Teatro Castro Alves em Salvador



A Fundação Gilberto Salvador (FGS) inaugura nesta segunda-feira, 6, a exposição Filhos do Vento, lançando livro com o mesmo título e que registram o cotidiano das pessoas que vivem no entorno do primeiro Parque Eólico da Bahia - Lagoa de Dentro, Sumidouro, Perdidos, Cocal, Papagaio, Mangabeira e outras comunidades antigas e tradicionais de Brotas de Macaúbas. A mostra será aberta às 15h no salão de eventos do Colégio Municipal Nossa Senhora de Brotas (Praça da Cultura)

Resultado de um registro de 90 fotografias em preto e branco, a publicação é um trabalho do fotógrafo Fabio Cabral, um especialista na arte de fotografar modelos e atrizes, com três livros publicados e um vasto repertório de ensaios, exposições e prêmios.  Tem o patrocínio de Desenvix, Alstom e BNP Paribas, com apoio do Governo da Bahia, prefeituras municipais de Brotas de Macaúbas, Seabra e Novo Horizonte, e acontece graças ainda ao incentivo da Lei Rouanet do Ministério da Cultura.

O projeto Filhos do Vento inclui, a pedido da FGS, trabalhos da artista plástica Beth Kok responsável pela criação de uma série de desenhos digitais que traduzem a passagem do vento em um espaço onírico, repleto de cores, traços e figuras que parecem “voar” em um plano imaterial. Os desenhos foram reunidos num catálogo, intitulado “Filhos do Vento – Uma viagem imaginária”, que também será lançado em Brotas de Macaúbas.

Coroando os lançamentos do livro e do catálogo, a Fundação preparou uma exposição com 20 fotografias de Fábio Cabral e 12 digigravuras de Beth Kok, que irão permanecer em Brotas de Macaúbas até o dia 18. Daqui, partem direto para o Teatro Castro Alves, em Salvador, onde poderão ser apreciadas de 22 de agosto a 1º de setembro. Livro e catálogo serão lançados também na capital baiana, durante o vernissage da exposição.

O PARQUE EÓLICO

Brotas de Macaúbas tem o solo rico em cristal de rocha, quartzito, amianto, cobre, barita, diamante, ferro, manganês, mármore, e ouro. Mas é do ar que vem a esperança de dias melhores para os seus pouco mais de 12 mil habitantes, que vivem no chamado “polígono da seca”, onde a chuva não ultrapassa os 800 mm/ ano e a agricultura familiar ainda é a principal fonte de renda da população.

Graças à intensidade dos seus ventos, que sopra a média de 25 quilômetros por hora, a cidade foi escolhida para abrigar o primeiro parque eólico da Bahia. Os primeiros aerogeradores entraram em operação no início do mês de julho de 2012, produzindo energia elétrica de fonte limpa e sustentável. Para os moradores, as torres gigantes representam um sopro de desenvolvimento e progresso.

Sobre Fábio Cabral

Nascido no Rio de Janeiro em 1958, cresceu em São Paulo, onde estudou Ciências Biomédicas e fez pós-graduação em Saúde Pública na USP. Decidiu-se pela profissão de fotógrafo em 1982. Desde então, atende editoras e agências de propaganda do Brasil e exterior, fotografando moda, retratos, arquitetura, design reportagens e produções publicitárias, comerciais e artistas. É autor dos livros Anjos Proibidos (1991), Some Women (1998), SLZ 48h (2002). Desde 1997 atua como diretor de fotografia de filmes publicitários, curtas e longas metragens, tendo sido premiado em Cannes e no Festival de Cinema Publicitário em Nova York (1998). Atualmente, desenvolve trabalhos entre seus estúdios de São Paulo e Florianópolis e em países da Europa, África e América Latina.

Sobre Beth Kok

Paulista, é arquiteta formada pela FAU-USP, designer gráfica e ganhadora do prêmio Jabuti 2005 pelo projeto e produção gráfica do livro Terra Paulista, do CENPEC. É ainda co-autora da coleção O Leitor de Imagens e do projeto artebr, para o Instituto Arte na Escola. Na área ambiental, é co-autora do projeto Roda D´Agua para a OAK – Educação e Meio Ambiente. Criadora do projeto gráfico, ilustrações e edições do Concurso Causos do Eca/Fundação Telefónica durante sete anos. Ilustradora para Cia das Letrinhas, IBEP Nacional e outras. Desenha desde pequena, com formação em Artes pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP e The Arts Institute of Chicago, entre outros ateliers em São Paulo. Realizou exposições individuais e coletivas no Museu Lasar Segall, Museu da Imagem e do Som (MIS), Museu de Arte Contemporânea (MAC) e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), todos em São Paulo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Mata de Bom Jesus inicia tradicional festa







De 28 de julho até 6 de agosto o povo da Matinha e região realiza uma das maiores mabifestações do município de Brotas de Macaúbas



Começa no próximo dia 28 uma das mais tradicionais festas do município de Brotas de Macaúbas. A comunidade da Mata celebra o Senhor Bom Jesus que lhe completa o nome – Mata do Bom Jesus. Centro de cultura e tradição, o local é um dos pioneiros do município e onde nasceram figuras ilustres, a exemplo de Tomé Gervásio Filho, Antônio Rodrigues, Otaviano Barreto, Cleusa Rodrigues dos Santos dentre muitos outros.

A Mata do Bom Jesus tem em suas origens a figura história de seu Quili, um dos pioneiros e que emprestou o próprio nome para identicar o lugar: Mata de Quili. A festa do padroeiro é centrada na religiosidade do povo e este ano tem como tema “Com o Bom Jesus, cuidar da saúde espiritual e social”. Nos dias 28 a 31 de julho e 1º a 5 de agosto acontecerão as novenas na capela, seguidas dos tradicionais leilões. No dia 6, missa solene e procissão completam o evento.

A festa é organizada pela Associação Bom Jesus (bomjesusassociacao@hotmail.com) e contará com apresentações musicais, a exemplo de Figueiredo (dia 28), Expedito e Cia (29), Língua de Fogo (30) e Gegê Almeida (31), todas marcadas para o Salão Municipal. Na quadra de esportes se apresentam Língua de Fogo (dia 1º), Expedito e Cia (2) e Elias e Banda – Jacaré Danças (3). No dia será a vez de Elias e Banda e Banda Torres da Lapa e no dia 5 de Elias e banda e Banda Sound Luxo, que encerrarão a programação, também na quadra, no dia 6.




Na parte religiosa, com celebração do Frei Moisés, além das novenas que marcam a fé e devoção do povo matense, haverá no dia 6, às 9h30, a Missa da Transfiguração do Senhor Bom Jesus e, às 16h, a procissão solene pelas ruas da comunidade.

A festa da Mata por tradição consegue reunir boa parte das pessoas nascidas ali que se deslocam todos os anos de diversas regiões do Brasil. É, portanto, motivo de um grande encontro de conterrâneos que vão para matar as saudades e também para levar a sua contribuição para manter uma tradição que neste 2012 completa 105 anos.



O AUTO MA MATA



A Mata foi um dos lugares onde o Grupo Cultural Cayam-Bola apresentou, no início deste ano, o Auto de Nossa Senhora de Brotas. Na ocasião, em texto adaptado para o local, os atores lembraram um pouco da história e de personalidades locais. Veja os versos:


Boa noite minha gente

Estamos aqui pra sonhar

Contar uma linda história

E também comemorar

Com esse povo da Mata

Gente boa e sem mamata

De cultura singular


Sou neto de Henrique Martins

Afilhado do seu Quili

Fundador desse recanto

Por isso estamos aqui

Para contar bela história

Do milagre de Nossa Senhora

Que aconteceu bem ali

          
Foi lá nas terras de Brotas

Que aconteceu nossa história

O milagre de uma santa

Chamada Nossa Senhora

Que deu origem a cidade

Isso é coisa de verdade

Que nós contaremos agora


A santa fez um milagre

Por isso é a padroeira

De nossa terra querida

É devoção de primeira

Que hoje trazemos ao povo daqui

Descendentes de Quili

A mãe de todos, altaneira

                  
Mata é terra bonita

Bacana, educada e legal

Terra do Gervásio Tomezin

De inteligência sem igual

De Solon, Cleusa, Otaviano, Jorge e Antunin

Mamede, Auto, Jerônimo e Davi

E muita gente genial

                 
A Mata tem muita história

De alegria e devoção

Foi aqui que roubaram o sino

Que deu tanta atribulação

Mas o povo não esmoreceu

Por isso essa gente venceu

E hoje chama a atenção