quarta-feira, 25 de abril de 2012

Festa do Divino é tradição do povo brotense


Imperadora Genelísia com o filho Júnior Feitosa, capitão do mastro para a festa do Divino do próximo ano









Fotos próprias e de Luciano Oliveira mostram a Cavalaria e chegada do imperador Leo com a Bandeira do Divino, marcando a abertura oficial da mais tradicional festa popular-religiosa em Brotas de Macaúbas, tradição trazida por portugueses açorianos e mineradores de Minas Gerais há mais de 200 anos


A Capitã Nilza carrega o Mastro sagrado do Divino pelas ruas de Brotas de Macaúbas





Brotas de Macaúbas faz do dia de Pentecostes a grande marca de fé de sua gente e corta atração musical por causa da seca

Brotas de Macaúbas já vive as emoções, alegrias e devoção ao Divino Espírito Santo, que o povo católico celebra, este ano nos dias 26 e 27 de maio. O imperador da festa, Aurélio Avelino – Léo de Lilice – e a capitã do mastro Nilza da Lagoa de Dentro já estão em campo para organizar a festa. Na parte religiosa, a Bandeira já está percorrendo o município inteiro e a promessa é fazer uma celebração com muita fé e alegria. A Prefeitura Municipal contratou atrações de peso, a exemplo de Valeu Boi, que se apresentam na Praça da Matriz no dia 26. No dia 27 será a vez de Limão com Mel. Haverá shows ainda com as bandas Chapada Língua de Fogo, Nação Forrozeira, Flor de Lyrius, Bicho Bom e o brotense radicado em São Paulo Thyago Ribeiro. Em virtude o estado de emergência por causa da seca foi cortada a aprsenção da banda Desejo de Menina, que seria a atração principal no sábado.

Em Brotas de Macaúbas, o povo guarda essa devoção ao Dia de Pentecostes há mais de dois séculos, desde que os primeiros descendentes de portugueses açorianos chegaram à região, atraídos pelos diamantes, ouro e outras pedras preciosas que brotavam fartos do chão cheio de dádivas. Não se sabe ao certo a origem da devoção, mas a mais antiga capela em louvor ao Divino fica na comunidade de Minas do Espírito Santo, que hoje pertence ao município de Barra do Mendes, desanexado de Brotas em 1958. O mais provável é que os garimpeiros trouxeram a devoção para a localidade Santo Inácio (entre Ipupiara e Gentio do Ouro), primeira parada desses homens e mulheres pioneiros na formação da nossa gente, lá para os idos de 1.800. O certo é que a devoção cresceu principalmente entre as famílias Barreto, Novais, Araújo, Fernandes, Espírito Santo, Martins e Sodré, espalhando-se por toda a região.

O milagre da vaquinha, encontrada no Boqueirão de Brotas, fez surgir a capela devotada a Nossa Senhora de Brotas, no entorno da qual floresceu a cidade de Brotas de Macaúbas que se transformou em importante município – tanto pela extensão de seu território como pela importância política evidenciada na disputa entre os clãs dos Matos (Horácio de Matos) e Coelho (Militão Coelho). Em Brotas a festa do Divino encontrou o seu templo principal e vem se repetindo em pompa e circunstância sempre organizada por Imperador e Capitão do Mato, figuras escolhidas em sorteio, a cada ano.

ESMOLAS MOVIMENTAM
Este ano, Aureliano Avelino de Souza e Nilza Souza serão, respectivamente, imperador e capitã do mato. Logo após a Quaresma iniciaram os preparativos para o grande dia de Pentecostes. Ao imperador cabe levar a Bandeira do Divino em cada recanto do município, cantando tradicional ladainha e arrecadando donativos – as esmolas. A festa atrai a Brotas de Macaúbas uma legião de filhos, vindos de várias cidades da Bahia e do país. É um momento de reencontro entre familiares e amigos, o que torna o Divino o grande promotor dessa sadia confraternização.
A Bandeira, que já rodou boa parte da Freguesia, arrecadando fundos para a festa, no próximo domingo (20 de maio) vai movimentar a comunidade de Lagoa de Dentro, que deverá receber grande número de devotos pois é de lá este ano a Capitã do Mastro.

A Festa do Divino é marcada por vários momentos de grande emoção, culminando com a Missa Solene, às 9h, no domingo (dia 29), quando acontecem ainda a procissão e o sorteio dos próximos imperador e capitão. Mas é no sábado que a cidade enche-se de gente para receber o Imperador e a Bandeira Divina que chegam triunfalmente com a tradicional Cavalaria. O tropel dos cavalos desperta a multidão e aumenta a algazarra. À frente, um cavaleiro se destaca vestido de vermelho com uma bandeira igualmente vermelha com uma pomba branca estampada. Atrás, um grande número de homens e mulheres montados a cavalo irrompe pela entrada da cidade ao som de sanfoneiros e sob o espocar de foguetes. A criançada corre de um lado para o outro, a multidão se agita e as palmas celebram um momento mágico – a entrada triunfal do imperador do Divino.

Esse ritual acontece todos os anos, há mais de uma centena de anos, na cidade baiana de Brotas Diamantina, incrustada feito um diamante valioso no coração da Chapada Diamantina (600 quilômetros de Salvador). A Festa do Divino acontece 40 dias depois da Páscoa quando a Igreja Católica celebra o Pentecostes (passagem bíblica que mostra a descida do Espírito Santo em forma de línguas de fogo, levando sabedoria aos apóstolos de Jesus Cristo).


CAVALARIA É TRADIÇÃO
A Cavalaria é uma tradição introduzida na região de Brotas de Macaúbas por imigrantes portugueses no final do século XVIII. É deles também a Procissão do Mastro (que lembra a trajetória de Jesus a caminho do Calvário) e a Fincada, que integram o calendário de uma das mais populares festas religiosas do interior do Brasil.

Em Brotas de Macaúbas, onde o sertanejo é simples e sofrido, ainda persistem traços do sotaque português em alguns trechos da Ladainha do Divino que os fiéis – ou não – repetem de casa em casa na visita da Bandeira, e que os brotenses chamam de Esmolas. Esse ritual, cheio de significado e fé, ajuda na integração social entre os moradores, mas continua sendo desvirtuado ultimamente tanto por imposição da Paróquia como pela falta de uma política pública cultural que garanta a tradição.

As Esmolas começam a ser “cantadas” desde o mês de março, em plena Quaresma, pois precisa-se percorrer todas as vilas, distritos, comunidades e lugarejos da Freguesia. O imperador leva a bandeira e o povo o acompanha junto com sanfoneiros. Esse ritual que mistura festa e devoção é motivador da força da fé que vai desaguar na grande manifestação de alegria que a Festa do Divino se reveste.

Orgulhoso por manter viva uma tradição que remonta das Cruzadas – das lutas entre cristãos e mouros -, o povo de Brotas de Macaúbas sabe que foi ali, da pequena vila criada ao redor da Igreja de Nossa Senhora de Brotas, que a devoção ao Divino Espírito Santo se espalhou pelo Brasil afora.

Muita fé e alegria nas esmolas

A Ladainha das Esmolas é cantada com muita fé, alegria e entusiasmo pelos Devotos durante a Festa do Divino. Faz parte da visita da Bandeira de casa em casa e que arrasta multidões todos os anos pelas ruas da cidade e em todos os recantos por onde a caravana do imperador passa.


LADAINHA DAS ESMOLAS



É chegada em vossa casa

Uma formosa bandeira (bis)

E nela vem retratada

Uma pomba verdadeira (bis)


Divino Espírito Santo

Em vossa morada entrou (bis)

Vem correndo a freguesia

Visitando os morador (bis)


Essa pomba que aqui vem

É de Deus muito louvada (bis)

São as mesmas três pessoas

Da Santíssima Trindade (bis)


Vem pedindo a sua esmola

Que muito carece dela (bis)

Para serem festejadas

Dentro de sua capela (bis)



Divino Espírito Santo

Dono do Sol que nos cobre (bis)

Ele é dono do tesouro

Pede esmola como pobre (bis)


Ele pede é por pedir

Mas não é por carecer (bis)

Pede para experimentar

Quem seu devoto quer ser (bis)




Divino Espírito Santo

Divino consolador (bis)

Consolai as nossas almas

Quando desse mundo for (bis)


Quem se benze com a bandeira

Desse Divino Senhor (bis)

Benze Deus na sua graça

Dentro do seu resplendor (bis)



Quem dá esmola a esse santo

Não repara o que vai dar (bis)

Seja dez reais ou vinte

Fica mil em seu lugar (bis)




Deus lhe pague a esmola

Deus lhe dê muita saúde (bis)

A esmola é caridade

A caridade é virtude (bis)



Deus lhe pague a esmola

Se vos derem com grandeza (bis)

Deus permita que por ela

No reino do céus se veja (bis)



Imperadores escolhidos por sorteio


O desejo de se tornar Imperador ou Imperadora (Imperatriz é a mulher do Imperador) do Divino está no coração de cada brotense, filho ou não da terra. Grandes personalidades da cultura, das artes, do direito, fazendeiros, agricultores, comerciantes, e até mesmo simples homens e mulheres do povo. Confira alguns desses imperadores nas fotos abaixo:


 
O Imperador José Martins com sua esposa Ivete Marise: festa das mais animadas

 
O Imperador Claudinho com a Bandeira do Divino: muita emoção em dia muito feliz

 
Gerente do Bradesco, Ademir Queiroz, com a esposa Dona Marli: capricho na devoção ao Espírito Santo

 
Grande Imperador, Preto comandou a festa em 2006

 
O desembargador Clésio Rômulo Carrilho Rosa, com Neném puxando a charrete, recebe o sorriso de Olderico Barreto

Rosalvo Martins Júnior liderou a Cavalaria na festa de 1992 quando foi o Imperador do Divino
COMO CHEGAR
Chega-se a Brotas de Macaúbas, de Salvador, pegando a BR-116. No Posto Paraguaçu, toma-se a BR-242 (Bahia-Brasília). São 600 quilômetros com direito à paisagem inóspita da caatinga, mas passando por lugares deslumbrantes da Chapada Diamantina, como o Morro do Pai Inácio e a Serra da Mangabeira. Brotas fica 140 depois da cidade de Seabra – 30 quilômetros após da descida da Mangabeira e a perigosa serpente de curvas, se pega a rodovia estadual (42 quilômetros), a partir do Entroncamento (Posto Luisão).
A estrada para Brotas está bem cuidada e o asfalto é recente e a paisagem gratifica, descortinando belíssimas serras, culminando com a verdadeira miragem da natureza que é o Vale da Colônia, com suas fazendas de muito verde. A cidade de Brotas de Macaúbas é cercada por morros, estando a 1.184 metros de altitude, o que lhe empresta um clima ameno. De dia o sol é tórrido, mas as noites de inverso são de muito frio mesmo.
Para quem vem de Brasília o caminho para Brotas é inverso, mas atravessa a mesma BR-242, no sentido contrário, passando por Barreiras, atravessando o Rio São Francisco em Ibotirama. A entrada para Brotas fica logo após a Ponte do Rio Paramirim. Pode-se chegar à cidade por avião. Em Brotas existe um bom campo de pouso, que serve a aeronaves de pequeno porte. Mas não há vôos regulares, podendo-se contratá-los. De São Paulo há vôos para o Aeroporto de Lençóis.











MUITOS PONTOS TURÍSTICOS
Em Brotas de Macaúbas a mãe natureza não economizou no verde dos jardins, ou no frescor das águas, muito menos na imponência das serras e nem no brilho dos minérios. São recantos especiais. Eis alguns exemplos:
TANQUE – Logo na entrada da cidade, o lago cercado de verde ganhou da população o nome de Tanque. O local é belíssimo, principalmente pela composição com a Serra da Colônia que empresta sua majestática presença ao bucolismo do açude.
BOQUEIRÃO – A água da bica tem cheiro fosfórico e, dizem, é medicinal. Fica num grande boqueirão cheio de árvores. O caminho é por areia escura, mas vale a pena o desafio. O lugar é agradável apesar de descuidado pelos poderes municipais.
PEDRA DO URUBU – Do Boqueirão, subindo a serra, chega-se à Pedra do Urubu, de onde é possível  ter uma macro visão da cidade. Contam que dali o coronel Horácio de Matos defendeu o lugar de invasores no começo do Século XX.
BALNEÁRIO – Espécie de clube construído na margem esquerda do Tanque. O visual é bacana e a pequena piscina serve para o lazer em dia de sol.
NOS ARREDORES há o Lajedo, Três Reis, Santana, Colônia, Olho Dágua que podem se transformar em lugares para ótimos passeios.

ONDE FICAR
Há algumas pousadas em Brotas de Macaúbas. Algumas podem até servir comidas típicas como o rupiado e o cortado de banana verde (Godó). Mas é bom reservar vaga com antecedência, pois durante a Festa do Divino a procura é grande. Informe-se na Prefeitura (077) 3644-2152:
Pousada Vovó Terezinha – Fica no Caminho da Santana, ao lado do Balneário. O lugar é bem arrumado e as acomodações são muito boas.
Hotel Cinco Irmãos – Na Rua Coronel José Martins. Dona Judite costuma receber muito bem os hóspedes.
Pensão de Ivanilde – Na Praça Dr. João Borges. O lugar é privilegiado por ficar bem perto da Matriz.
Hotel Espírito Santo – Na Praça da Bandeira, próximo à Quadra Poliesportiva.
Pousada Bem Estar – Na entrada da cidade, bem pertinho do açude e da clínica.

ONDE CURTIR
Como toda cidadezinha do interior, afora as atrações de passeio, não há muito o que fazer, principalmente à noite. Mas existem alguns points legais, onde rola a paquera.

Cayam-Bola Launge & Bar - Novo ponto cultural e de lazer, na Rua D. Pedro I. A especialidade são os bolinhos de bacalhau e empadas.
Bar do Peixe – Também na D. Pedro I, local é point de encontro da galera descolada da cidade.
Quiosque do Joãozinho – Na Praça Dr. João Borges, bem no centro da cidade, o lugar também é ponto de encontro da juventude e local onde há lanches e sucos.
Quiosque Central – Também na Praça da Matriz é point dos mais procurados, onde também serve-se refeições
Samborar – Este bar é aconchegante e bem reservado, e conta com o atendimento atencioso e especial de Valdinei, uma das figuras mais estimadas de Brotas.
Bar da Nilza – Fica na entrada da cidade, perto do Tanque. É um lugar bem agradável.
D+.Com – Agora com Dema no comando, a boate reúne a galera, seja para festa com DJ ou mesmo para curtir clips e DVDs, fazer um lanche rápido e tomar uma cervejinha bem gelada.
ONDE COMER
Além de tira-gostos e do rango nas pousadas e bares, a grande dica é o Restaurante de Dadá. Fica na Praça da Cultura, junto ao Cenecista. A comida é a quilo ou a la carte e merece destaque especial os pratos preparado por Dona Mary, uma exímia quituteira.

Outra opção é o Restaurante Vieira, na Rua Padre Carrilho, com comida simples e muito boa. Serviço impetável de Baito e Sandra.
Para que gosta de pizza, a Pizzaria Anjos fica na Rua Coronel José Campos (Calçadão) e tem ótima aceitação.
O RUPIADO
Se uma comida pode bem representar a cozinha de Brotas de Macaúbas, está sem dúvida é o Rupiado. O prato típico, iguaria é dos mais populares e serve, principalmente, para curar ressaca. “Levanta defunto da cova”, costumam dizer seus apreciadores. Há muitas quituteiras com a receita na ponta da língua, mas a que damos aqui é da professora Lícia Martins, especialista e PHd em Rupiado.

Ingredientes
Carne moída
Vinagre
Cebola picadinha
Tempero verde
Tomates aos pedacinhos
Pimentão
Cominho
Sal e pimenta a gosto
Ovos
Farinha de mandioca
MODO DE FAZER
Refogue a carne temperada no sal, cominho e vinagre. Adicione cebola, alho e pimentão, bem picadinhos. Depois os tomates (igualmente cortadinho). Deixe cozinhar com água como se fosse para uma sopa. Adicione os ovos inteiros e cozinhe um pouco. Vá misturando os ovos ao caldo e adicionando a farinha com o tempero verde (salsa, coentro e cebolinha) até formar um angu com a consistência para ser tomada como sopa. A pimenta é o toque opcional.






NOTA DE ESCLARECIMENTO
A Prefeitura Municipal de Brotas de Macaúbas esclarece a todos os cidadãos brotenses que diante do grave quadro de seca que atinge nosso município, irá realizar cortes de gastos na festa do Divino Espírito Santo.
A festa do Divino é uma manifestação cultural e religiosa que reforça as tradições de nosso município, e que também gera um aquecimento na economia, diante do consumo dos visitantes e, portanto, merece ser mantida.
Entretanto, desde a homologação do Decreto nº 51, de 07 de março 2012 que declara como “Situação de Emergência” áreas do Município de Brotas de Macaúbas, entramos para a lista dos mais de 200 municípios baianos que enfrentam a pior seca das últimas décadas.
Por isso a administração pública, movida pelo bom senso, toma tal decisão de reduzir a programação da festa, e com isso garante a economia de recursos para atender em caráter emergencial as regiões mais atingidas pela seca.
Os recursos economizados com esses cortes serão revertidos em ampliação do atendimento de carro pipas; implantação de sistemas de abastecimento de água; ampliação de açudes, barragens e aguadas; instalação de poços artesianos, entre outros.
Cientes que estamos cumprindo nosso dever constitucional, contamos com a compreensão de todos.
Prefeitura Municipal de Brotas de Macaúbas – Um Novo Tempo Para Todos

DIANTE DA SITUAÇÃO A COMISSÃO DE EVENTOS DESSE GOVERNO,
OPTOU POR CANCELAR A CONTRATAÇAO DA BANDA DESEJO DE MENINA,
E IRÁ MANTER AS OUTRAS ATRAÇÕES ANUNCIADAS.

domingo, 18 de março de 2012

Pesquisa mostra penúria de municípios


Índice mede a gestão fiscal das cidades brasileiras. Brotas está entre os 374 municípios analisados na Bahia

O município de Brotas de Macaúbas, 590 quilômetros de Salvador, está no meio da pirâmide no ranking estadual do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), que mede a boa alocação dos recursos públicos e o controle social da gestão fiscal das cidades brasileiras. Matéria distribuída pela Agencia Estado mostra que a mistura de despesas elevadas com funcionalismo, receita própria reduzida e investimentos escassos ou até inexistentes leva duas em cada três cidades brasileiras (63,5%) a viver situação financeira difícil ou crítica.

O retrato está no Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), elaborado pela Federação das Indústrias do Rio com dados de 2010 para medir a qualidade da administração financeira das cidades. Só 95 (1,8%) das 5.266 prefeituras avaliadas tiveram a gestão das contas considerada de excelência, com conceito A.

SITUAÇÃO FISCAL DELICADA

Para o estado da Bahia, o resultado do IFGF, como aponta o relatório, mostrou uma situação fiscal delicada, onde 90,6% dos municípios foram avaliados com gestão fiscal difícil ou crítica (conceitos C e D, respectivamente). Dessa forma, o estado foi o que colocou o segundo maior número de municípios na parte inferior do ranking do IFGF: 82 dos 374 municípios baianos investigados ficaram entre os 500 piores resultados do IFGF, ou seja, um quinto das prefeituras baianas ficou no grupo de pior gestão fiscal do País.

O levantamento, que ajuda a explicar a desproporção entre a qualidade dos serviços públicos e a elevada carga tributária brasileira, mostra que Sul e Sudeste abrigam 81 das 100 municipalidades com melhor desempenho nas finanças. Na ponta inversa, as 93 piores administrações estavam no Norte e no Nordeste - em correlação forte, mas não automática, com a renda.

Dez anos após a edição da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a média dos municípios levou a um IFGF Brasil de 0,5321 em 2010, 1,9% a mais do que o resultado de 2006, base de comparação estabelecida no trabalho. O resultado de 2010 coloca o IFGF nacional no nível de "gestão em dificuldade" e foi negativamente influenciado pelos gastos com pessoal das cidades, cujo indicador caiu de 0,6811 para 0,5773 - menos 15,2%.

Estabilidade no custo da dívida (piora de 0,3%) e avanço modesto na receita própria (6,9%) completaram o quadro ruim. A reduzida melhora foi garantida pelo avanço nos investimentos (9,5%) e na administração dos restos a pagar (16,3%), sob a influência do crescimento recorde de 7,5% da economia em 2010.

NÚMEROS DE BROTAS

Os indicadores do IFGF para Brotas mostram o município em 102º  na Bahia e 3085º no país, com nota abaixo da média apenas em receita própria (0,1132 pontos). A nota maior está em custo da dívida (0,8244 pontos), seguido por gastos com pessoal (0,6898 pontos). A pontuação intermediária é a seguinte: investimentos (0,4988 pontos) e liquidez (0,5911 pontos). No geral, o município pulou de 0,3669 pontos em 2009 para 0,5083 em 2010. O custo da dívida e os gastos com pessoal ajudaram nesse desempenho.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Afinal, qual o dia do aniversário de Brotas?








Cidade comemora 74 anos de emancipação política no dia 30 de março, mas a história verdadeira é muito diferente


A data da emancipação política do município de Brotas de Macaúbas, fixada em 30 de março pela Lei Orgânica do Município de 1990 está errada. O documento oficial, escrito pela Câmara de Vereadores Constituinte se baseia no decreto Lei no 10.724, assinado em 1938, pelo então interventor estadual Landulpho Alves de Almeida, mas está muito longe da realidade. Apesar de oficialmente comemorar-se 74 anos de emancipação política no próximo dia 30 de março, a nossa cidade tem mais que o dobro dessa idade. Só a título de comparação, a comunidade de Ouricuri do Ouro este ano celebra o seu centenário de fundação.

Fica a pergunta a estudiosos, professores, alunos, autoridades, cidadãos do povo: qual é mesmo a data do nascimento de nossa cidade e do nosso município? A título de informação, nos anos 40 – logo após o fim da II Guerra Mundial –, mais precisamente no dia 8 de setembro de 1947, Brotas celebrou o primeiro centenário da Freguesia (Paróquia), data que foi marcada pelo pouso dos primeiros aviões na cidade, em um campo construído em seis dias pelo padre José Pereira Bastos nas imediações de onde fica hoje o Colégio Nossa Senhora de Brotas.

A festa do padre Bastos tem todo sentido – e por isso mesmo foi revestida de toda pompa e circunstância, como lembra o comerciante Noé Martins de Araújo. “Eu tinha nove anos na época e me lembro perfeitamente que o povo dizia que Deus fez o mundo em sete dias e o padre Bastos construiu o campo de avião para o centenário em apenas seis dias”, conta. Meu pai, Rosalvo Martins do Espírito Santo, do alto de seus quase 95 anos de vida, diz que votou para intendente (prefeito), “no tempo da chapa batida, quando o voto era declarado de público e o fio de barba calia a palavra dos honens” (as mulheres não votavam naquela época), muito antes de 1938, o que caracteriza a emancipação politica anterior ao que estabelece a lei municipal.



LUTA HERÓICA DOS BROTENSES

A Lei Orgânica do Município, promulgada em 5 de abril de 1990, fixa a data da emancipação em 30 de março de 1938, mas está muito muito longe da realidade. A história brotense é muito mais antiga e relata o heroísmo de seus filhos na primeira década do século XX, pegando em armas para lutar pela hegemonia do município, cuja fundação se deu no tempo do Império, em 1878.

O município de Brotas de Macaúbas, que era extraordinariamente grande e tinha sete mil quilômetros quadrados, indo de Morpará (margem do Rio São Francisco) até Barra do Mendes, hoje possui 2.372,44 km2. A primeira penetração no território aconteceu na segunda metade do século XVII, por garimpeiros à procura de ouro e pedras preciosas. Dessas incursões o pequeno povoado foi elevado à condição de freguesia, em 1847, com o nome de Nossa Senhora das Brotas de Macaúbas. O arraial desenvolveu-se em função da comercialização do diamante e, em 1878, criou-se o município com o nome de Vila Agrícola de Nossa Senhora das Brotas de Macaúbas.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dizem que em 1931, simplificou-se o topônimo para Brotas, e posteriormente, em 1943, para Brotas de Macaúbas. No decorrer de sua história, Brotas de Macaúbas teve seu território desmembrado para formar os municípios de Barra do Mendes e Ipupiara (1958) e Morporá, em 1962. O distrito de Corrente foi anexado ao município de Oliveira dos Brejinhos (nos anos de 1920).




O MILAGRE DA VAQUINHA

O certo é que a cidade surgiu e cresceu em torno da pequena capela devotada a Nossa Senhora. Há notícias sobre a existência do lugar desde 1792 com o nome de Brotas. Mas a povoação em torno da igreja e do cemitério, contruído do lado direito, ganhou força com o milagre da vaquinha. Conta-se que a filha de um fazendeiro ficou muito triste com o sumiço de uma bezerrinha, presente do pai, levando a mãe a fazer uma promessa de que mandaria erguer uma capela para louvar Nossa Senhora caso o animal fosse encontrado.

Meses se passaram e a menina definhava, até que caçadores e vaqueiros encontraram-na, já uma vaquinha e com um bezerrinho no local chamado Boqueirão de água pura e boa e da qual não se sabia a existência até então. A água cristalina - que abasteceu a população por muitos anos - e o capim farto no local salvaram a vida da bezerrinha perdida. Além da capela, o pai da menina também doou as terras ao derredor que foram sendo povoadas até os dias de hoje.

A partir do milagre, nascia a florecente Vila Agrícola de Nossa Senhora de Brotas, que mais tarde foi elevada à condição de município, incluindo terras hoje pertencentes a Ipupiara, Morpará, Barra do Mendes, além da vila de Corrente, hoje Bom Sossego, pertencente a Oliveira dos Brejinhos. Os primeiros habitantes, índios Muriybeka, foram aos poucos subjugados por garimpeiros atraídos pelas pedras brilhantes. Gente vinda de diversas regiões do Brasil, como Minas Gerais, e também por portugueses, especialmente da Ilha de Açores, trazendo os primeiros escravos negros. É dessa ilha portuguesa a origem da Festa do Divino Espírito Santo em nossa região.






CAYAM-BOLA, PRIMEIRO NOME

Pelos registros orais, pois não existe nada oficial quanto a isso, o primeiro nome de Brotas de Macaúbas foi Cayam-Bola, provavelmente de origem indígena. Além dos índios, que desapareceram na forma original, mas que deixaram a sua marca nos traços de nossa gente, os primeiros habitantes eram garimpeiros e pessoas que trabalhavam na extração e comercialização de diamantes, muitos dos quais vindos da Portugal.

A economia de Brotas, outrora próspera pela extração de diamantes e ouro, assim como pela criação de gado, atravessou muitas crises. Vale o registro e destaque para a produção de fumo de execlente qualidade, especialmente nos povoados de Lagoa de Dentro, Alvorada (ex-Açoita Cavalo), Barrinha, Oricuri e Lagoa Nova. A agricultura e a pecuária, de subsistência, hoje são explorados apenas para o abastecimento local. Há de se destacar o cultivo da cana de açúcar e a produção de aguardente e rapadura, intruduzidos desde os primórdios, pelos colonizadores.

Brotas de Macaúbas também é um dos maiores produtores de cristais de quartzo, atividades muito difundida nas décadas de 40, 50, 60, 70 e 80. Hoje, o quartzo com fios dourados - rutilo - pode ser a grande esperança para a nossa economia, mas os garimpos ainda asseguram poucos empregos, os lucros vão para uma minoria e não há recolhimento de impostos.






IDENTIDADE CULTURAL

A cidade possui alguns marcos dignos de registro, a exemplo da Pedra do Urubu onde, diz a lenda, estaria a marca do pé do coronel Horácio de Matos durante as lutas em defesa pela soberania do município. O açúde, construído no final do século XIX, incío do século XX – época de grande fome – fica na entrada da cidade, tendo ao fundo o Morro da Colônia, é outra referência que remete a nossa lembrança, assim como o hoje depredado e esquecido Boqueirão e a Capelinha.

Há também belos exemplos da arquitetura colonial, especialmente em casas da Praça Dr. João Borges que resistiram ao tempo e à sanha consumista dos homens. Com relação a isso, registramos a destruição do Sobrado do Major Quintino Arcanjo Ribeiro, local onde, nos anos 60, funcionou o Colégio Cenecista. A Igreja de Nossa Senhora de Brotas é outro destaque, valendo o destaque para a nova torre construída no início deste século XXI, nos mesmos moldes da primeira, edificada pelo pedreiro José Viana em meados do século passado.

Na memória coletiva do nosso povo, dois marcos culturais, igualmente destruídos pelo descaso: A Lapinha de Joana Messias que, com a morte da proprietária, não foi conservada pelos parentes (ela não tinha filhos) e nem pela administração pública. O outro exemplo é o Reisado – sendo o mais conhecido e popular o Reis de Lalu - que perdeu-se no tempo, sendo hoje apenas lembrado vagamente por pessoas mais velhas. O legado cultural afro-descendente está presente principalmente nas manifestações folclóricas – reisado e samba de Angola - hoje praticamente inexistentes. Dos índios, ainda guardamos a tapioca e o beiju, além de alguns pratos típicos como o cortado de banana verde.

N.R.: 
Este texto é parte do livro de minha autoria "CAYAM-BOLA - do primeiro diamante à força dos ventos"", em fase de finalização. Pode ser reproduzido no todo ou em parte, com a devida autorização do autor!

domingo, 11 de março de 2012

Emergência da seca atinge Brotas de Macaúbas



Ao invés de 1,5 mil toneladas, serão distribuídas três mil toneladas de alimentos aos municípios atingidos
Os municípios baianos atingidos pela seca  - Brotas de Macaúbas, inclusive, serão beneficiados com a duplicação da quantidade de alimentos que será distribuída. Ao invés de 1,5 toneladas, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) ampliou para três mil toneladas, distribuídas em duas mil de feijão, mil de arroz.
De acordo com o jornal Correio, além dos alimentos, a população também receberá um milhão de litros de suco de laranja. A duplicação foi anunciada pelo ministro Rômulo Paes na última quinta-feira (5), em reunião com o secretário da Casa Civil do Estado, Rui Costa, em Brasília.
A diretora do Departamento de Apoio à Aquisição e à Comercialização da Produção Familiar do MDS, Denise Reif Kroeff, presente no encontro, afirmou que cinco mil cestas básicas deverão ser distribuídas aos municípios. Elas serão repassadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e caberá ao Governo da Bahia a realização do transporte e distribuição dos produtos, que será feita imediatamente, em virtude da gravidade da situação.
Bahia recebe R$ 20 milhões
O Ministério da Integração Nacional liberou um recurso complementar no valor de R$ 20 milhões para as ações de combate à seca na Bahia, de acordo com informações da Secretaria de Comunicação do governo do estado.
O repasse será dividido entre o governo estadual , que receberá R$ 10 milhões, e os municípios atingidos pela estiagem, que ficarão com a outra metade do valor. As prefeituras atingidas pela seca receberão R$ 50 mil cada. Os recursos foram confirmados pelo secretário da Casa Civil, Rui Costa, em reunião com o ministro Fernando Bezerra na quarta-feira (4), em Brasília, e serão aplicados em ações emergenciais de combate à seca.
Durante a reunião com o ministro, o governo baiano ainda pediu a ampliação de recursos para a implantação de sistemas simplificados de abastecimento de água na zona rural dos municípios afetados pela seca na Bahia.
Emergência decretada
O município de Brotas de Macaúbas, 590 quilômetros de Salvador, teve o estado de emergência por causa da seca reconhecido pela Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cordec). A população sofre com a perda quase total da lavoura pois está sem chover desde dezembro. A Tarde on line publica na edição deste domingo, 11 de março, que nas zonas rurais de Andaraí, Juazeiro e Castro Alves (a 417 km, 500 km e 190 km da capital, respectivamente), a população passa sede, o gado morre pelos pastos e a agricultura familiar amarga perda de até 100%. A seca que castigou a Bahia ano passado, sobretudo na região do semiárido, entrou em 2012 assolando comunidades das regiões norte, nordeste, centro-oeste e sudeste.

Até a última sexta-feira, 75 municípios tiveram a situação de emergência reconhecida e decretada pela Defesa Civil estadual (Cordec). No final de 2011, esse número chegou a 123, o que não significa uma melhora do quadro, pois muitas destas cidades tiveram apenas expirado o prazo médio de 90 dias do decreto, e aguardam avaliação para a prorrogação.

Mirorós quase seca

De acordo com A Tarde, na região do semiárido, a mais atingida, o período seco tende a se estender até maio. “É esperada para os próximos meses uma expressiva redução nos volumes das chuvas na região. Ainda assim, não se descarta a possibilidade de ocorrer eventos isolados de chuvas mais intensas, nos meses de março e abril, o que não será suficiente para suprir o déficit registrado nos últimos anos”, avalia o coordenador de monitoramento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Eduardo Topázio.

Evidência preocupante é a barragem de Mirorós, que atende a quatro cidades da microrregião de Irecê (mais de 200 mil habitantes). Segundo informações da Empresa Baiana de Água e Saneamento (Embasa), o volume de água está abaixo de 10% da capacidade desde outubro passado, chegando a um nível de alerta.


 Cidades em emergência
- REGIÃO DE IRECÊ (11) - OESTE


AMÉRICA DOURADA
BARRA DO MENDES
CENTRAL
IRECÊ
IBIPEBA
IBITITÁ
JUSSARA
MULUNGU DO MORRO
PRESIDENTE DUTRA
SÃO GABRIEL
UIBAÍ

- REGIÃO DO VELHO CHICO (07) - CENTRO-OESTE
BARRA
BROTAS DE MACAÚBAS

IBOTIRAMA
IGAPORÃ
MORPARÁ
MUQUÉM DO SÃO FRANCISCO
OLIVEIRA DOS BREJINHOS

- REGIÃO DA CHAPADA DIAMANTINA (03) - CENTRO-OESTE
ANDARAÍ
MARCIONÍLIO SOUZA
NOVA REDENÇÃO

- REGIÃO DO SISAL (05) - NORDESTE
ARACÍ
CANSANÇÃO
ICHÚ
ITIÚBA
MONTE SANTO

- REGIÃO DO SERTÃO DO SÃO FRANCISCO (05) - NORDESTE
CAMPO ALEGRE DE LOURDES
CANUDOS
CASA NOVA
CURAÇÁ
REMANSO - 2011

- REGIÃO BACIA DO PARAMIRIM (03) - CENTRO OESTE
BOQUIRA
BOTUPORÃ - 2011
IBIPITANGA

- REGIÃO DO SETOR PRODUTIVO (08) - CENTRO-SUL
BRUMADO
CACULÉ
CAETITÉ
LIVRAMENTO DE NOSSA SENHORA
PALMAS DE MONTE ALTO
PINDAÍ
SEBASTIÃO LARANJEIRAS
TANHAÇU

- REGIÃO PIEMOTNE DO PARAGUAÇU (03) - SUDESTE
IAÇÚ
MACAJUBA
MUNDO NOVO

- REGIÃO BACIA DO JACUÍPE (07) - CENTRO
BAIXA GRANDE
GAVIÃO
IPIRÁ
MAIRI
NOVA FÁTIMA
PINTADAS
QUIXABEIRA

- REGIÃO SEMIÁRIDO NORDESTE II (04) - NORDESTE
ADUSTINA
FÁTIMA
PEDRO ALEXANDRE
SÍTIO DO QUINTO

- REGIÃO DO AGRESTE DE ALAGOINHAS/LITORAL NORTE (01) - NORTE
ENTRE RIOS

- REGIÃO DE PORTÃO DO SERTÃO (03) - LESTE  
ANTÔNIO CARDOSO
FEIRA DE SANTANA
SANTO ESTEVÃO

- REGIÃO DE VITÓRIA DA CONQUISTA (06) - SUDOESTE
ARACATÚ
BELO CAMPO
BOM JESUS DA SERRA
CAETANOS - 2011
MIRANTE
PLANALTO

- REGIÃO DO MÉDIO RIO DAS CONTAS (01) - SUDESTE
MANOEL VITORINO

- REGIÃO DE ITAPARICA (01) - NORTE
ABARÉ

- REGIÃO PIEMONTGE NORTE DO ITAPICURU (04) - NORTE
JAGUARARI
FILADÉLFIA
PONTO NOVO
SENHOR DO BONFIM

- REGIÃO VALE DO JIQUIRIÇÁ (03) - SUDESTE
IRAJUBA
MARACÁS
PLANALTINO

FONTE: DEFESA CIVIL DO ESTADO / SEI

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Motoserra mata as árvores







Fotos mostram o tamanho do corte das plantas nas praças da Cultura e da Bandeira

“Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada”

Poema atribuído ao russo Maiakowski

Parte considerável da população de Brotas de Macaúbas está revoltada com o corte de árvores – algumas frondosas – que acontece no momento nas praças da Cultura e da Bandeira. O som da motosserra acordou os moradores nesta Quarta-Feira de Cinzas, início da Quaresma, e houve muita reclamação. Um morador chegou a chegou a passar mal ao ver as plantas sendo serradas e jogadas no chão. Uma paisagista contratada pela Prefeitura Municipal comanda o trabalho que tem revoltado pessoas como uma professora: “Isso é um crime e não vemos coisa igual em lugar nenhum, como em Salvador, onde árvores centenárias são preservadas em todos os cantos, a exemplo do Campo Grande e do Corredor da Vitória e ai de quem ousar serrar uma delas!” desabafou.

O certo é que figueiras, oitizeiros, algarobas e outras árvores são cortadas sem dó nem piedade. Até mesmo uma palmeira, no centro da Praça Bandeira – onde está o prédio da antiga Prefeitura, que hoje dá lugar à Biblioteca Milton Santos – não escapou. Ardeu em chamas durante a madrugada, numa imagem chocante que assustou quem viu. “Isso é pervessidade. Colocaram fogo na palmeira, coisa triste e fizeram o serviço na calada da noite, às escondidas”, contou outro morador da praça, que não quis se identicar.



PAISAGISMO EMBELEZA

O trabalho paisagístico é necessário e embeleza a cidade, quando feito de forma ordenada. Há exemplos disso na cidade, como a Praça Horácio de Matos e até mesmo na Praça da Matriz. O que se questiona é a derrubada de árvores frondosas que serviam para dar sombra às pessoas, principalmente aos aposentados que ficam na porta dos Correios, à expera do expediente para a retirada de seus rendimentos. O som da motoserra grita no ouvido da população que assiste a essa devastação. Vale destacar que Brotas de Macaúbas é uma cidade onde o sol é muito quente na maior parte do ano e com essa ação perde pulmões e sombra. Uma pena!

No passado Brotas de Macaúbas viveu uma grande polêmica por causa da derrubada de duas grandes gameleiras que cederam lugar para a construção do Mercado Municipal na Praça da Matriz. Houve protesto, discursos e até confronto, prevalecendo a vontade do então prefeito, cujo nome batiza o mercado. Isso no final dos anos 50, quando a causa ecológica não tinha a força de hoje. A luta em defesa do meio ambiente cresceu e ganhou o mundo. Em Brotas, ao que parece, essa luta faz parte, quando faz, de algumas redações na escola, pois até mesmo o Boqueirão está abandonado, depredado e esquecido. E isso não é de hoje!
ABANDONO E COBRAS


A população de Brotas hoje reclama do abandono em que se encontra áraes mais afastadas, a exemplo do Parque das Árvores, onde até grandes cobras são encontradas, como aconteceu com o cascavel de quase um metro emeio morto na limpa de um terreno na querta-feira (22). Os fundos da Rua Padre Carrilho estão tomados pelo mato e cobras também têm aparecido no quintal de muitas casas.
Entre as ruas Joviniano Rosa e José João de Oliveira – a rua do meio – o mato está alto e dá medo passar por ali, como reclamam os moradores que esperam que a paisagista que manda derrubar as árvores no centro da cidade vá dar uma olhada por lá para ver se melhora a situação.



Nota no Facebook dá a versão oficial

Em minha página do Facebook, Adailton Ferro postou um texto sobre a “poda” de árvores na cidade e a “revitalização” das praças em Brotas de Macaúbas. Ele mostra a versão oficial sobre o episódio. O texto diz que “numa operação que envolve 12 servidores do municipio, liderada por uma Paisagista e um Engenheiro Agronomo a Secretária de Obras e Serviços Públicos e a Secretaria de Meio Ambiente realizam operação da revitalização de Praças e jardins da Cidade”.
Prossegue afirmando que “mais de duzentas Árvores já foram beneficiadas com poda de contenção, formação e manuntenção, cerca de quarenta plantas que tina copas mal formadas além de envelhecidas foram revitalizadas, quatro árvores (dois ficus, uma Santa Barbara e um oitizeiro) foram cortadas, após cuidadosa avaliação dos profissionais, por estarem doentes em estágio de declinio ou serem pantadas de forma adensada e com o sistema radicular (raizes) causando problemas nas calcadas e muros de arrimo. tudo tem sido feito com muito cuidado preservando a beleza e garantindo que não ocorra percas significativas para ao ambiente”.
Diz ainda: “Já iniciamos o plantio de novas árvores, com seis mangueiras e com a distribuição de centenas de mudas de Nim, as quais podem ser observadas em todas as partes da cidade.” E complementa, assegutando que “estamos preparando um pequeno Horto (Local apropiado para a reprodução de mudas) adquirimos um Motosserra, uma Motopoda e uma capinadeira lateral, além de equipamentos de proteção individual e outros equipamentos como tesouras de poda, fações, pás, cavadeiras e siscadores”.
Afirma que “construimos uma rede de abastecimento de água que sai do tanque e abastece a praça em suas margens, dali segue para abastecer a praça da cultura, a area em frente ao supermercado Morumbi, a praça dos poderes, a futura praça do aeroporto, a praça do BNH e o Campo de futebol”. E garante: Estamos adquirino tapetes de Grama, mudas de manga e outras arvores frutiferas, alé de plantas ornamentais de pequeno porte, estamos providenciando a aquisição de adubo organico para as praças e para a formação de novas mudas.
Diz também: “por fim a palavra de ordem é a revitalização, assim a praça da Cultura, por exemplo, vai ganhar alÉm das podas (manuntenção, formação e contenção) a recuperação de todo sistema de iluminação, adubação das áreas verdes, novo gramado de placas, manuntenção e melhoria do piso, manuntenção de Bancos, pista de acessibilidade para cadeirantes, tambores de coleta de lixo e também nova pintura.
E conclui: “vamos transformar a paisagem da cidade, ampliando a beleza das nossa praças e jardins, mutiplicando a quantidade de Árvores em nossas praças, ruas e Jardins inclusive introduzindo plantas ornamentais e flores nas repartições públicas. O trabalho continua, é o Governo "Um Novo Tempo Para Todos" cuidando da cidade, cuidando de você”.
NOTA DA REDAÇÃO
Diante dos argumentos postados por Adailton Ferro, que não é funcionário público municipal, mas a quem creditamos conhecimento sobre a questão do corte das árvores na cidade, resta-nos esperar. Pois o que consideramos irremediável – o corte pelo pé de muitas árvores frondosas – não pode ser revertido. Publico o texto em respeito ao direito de resposta que a boa imprensa deve dar a todos os cidadãos, em especial um conterrâneo que, apesar de discordarmos em alguns pontos, merece o respeito como tal.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A maxixada do juiz


Esta história eu escrevi baseada num causo contado pelo lagoadedentense Aldivan Fernandes (foto) que ele garante ser real. Que é engraçado, com certeza é e aconteceu em Lagoa de Dentro, terra natal dos personagens

Marciana, mulher determinada, tirava o próprio sustento numa pequena propriedade – uma rocinha, lá atrás do morro -, próximo à Lagoa de Dentro onde morava desde o nascimento, lá se vão 70 anos. Da sua casa, na parte alta do lugarejo, bem pertinho da igreja da polêmica - de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Polêmica, porque construída por negros descendentes de escravos acabou se transformando no centro de uma briga, uma vez que as famílias de pele branca queriam se apossar da capela e da imagem vinda do estrangeiro. Mas os tempos são outros e outra capela, agora para a Rainha, também Nossa Senhora, fora construída de modo a atender um racismo inexplicável à luz da religião.

Marciana era devota de Maria, batizada que fora na tal igrejinha dos pretos, apesar da pela clara, corpo miúdo. O excesso de peso lhe dava a impressão de estar enfiada a força no vestido bem composto, abaixo do joelho. A lida na casa, onde cozinhava, fazia café, limpava e deixava tudo em ordem, não a impedia de fazer sua plantação de milho, feijão, melancia e maxixe no tempo das águas – entre outubro e março - quando a chuva quebrava a rotina de sol a pino nos cafundós do sertão de Palmeiral, onde a Lagoa de Dentro se localizava.

Naquele ano de fartura, milho e feijão jogavam cabriola na rocinha da Marciana, que era visitada por ela religiosamente todos os dias para capinar, plantar, cuidar e colher os frutos da terra tão pródiga. Na tarde daquela sexta-feira ela esperava colher os primeiros maxixes que se transformariam numa belíssima maxixada, o almoço do sábado. Abraçada a uma cesta de vime lá se foi cantarolando até a plantação onde uma surpresa desagradável a aguardava. Em meios aos maxixes, alguém teve a ousadia de fazer um serviço esquisito, grande e fedorento, que fez a Marciana num rompante sair de volta pra casa com muita raiva e nojo.

- Uncuncuncun, só pode ter sido obra do Zezão.

Disse, referindo-se a Zé de Alvino, antigo desafeto com quem costumava bater boca sempre por algum motivo, seja lá política e até futebol, já que era fanática pelo “glorioso” Botafogo Futebol e Regatas e ele pelo Flamengo.

Marciana estava revoltada em ver seu maxixal ser transformado numa latrina. Era desaforo que ela não admitiria de forma alguma. Se queixaria ao bispo da Barra, se preciso fosse.

- No tempo do padre Carrilho isso não aconteceria!

Gritou para a vizinha, dona Maroca, referindo-se ao legendário pároco, nos dias de hoje nome da principal rua de Palmeiral. Marciana esqueceu o terço, as esmolas do Divino - da qual era das mais entusiasmadas participantes quando o imperador e a bandeira chegavam à Lagoa de Dentro trazendo um mundaréu de devotos -, e xingava o Zezão de tudo quando era nome. Foi quando a Maroca a informou que o juiz da Comarca, Dr. Antônio Rodrigues Barbosa, encontrava-se no lugarejo em visita a Dolores e Pio, casal mais abastado das redondezas. Só deu tempo de jogar uma água no corpo, botar o vestido de bolinha azul, presente da comadre Dozinha, calçar o sapato de missa e jogar o xale na cabeça.

Marciana seguiu determinada a dar parte ao juiz e exigir uma punição para Zé de Alvino. No solar de Pio e Dolores, Dr. Antônio descansava na sala principal degustando um licor de jenipapo com lascas de requeijão, isso após se refestelar com galinha caipira ao molho pardo e uma maxixada, como ele, dizia, “inesquecível obra prima” de sua anfitriã.

Foi com a lembrança na maxixada do almoço que o juiz recebeu Marciana e a sua queixa.

- Doutor, só Deus sabe com que dificuldade me dirijo a Vossa Excelência. É que eu tenho uma rocinha, lá atrás do morro, onde planto uma verdurinhas... E qual não foi a minha desventura hoje quando ao tentar colher uns maxixes para a maxixada sagrada do sábado, me deparei com um tolete de bosta sem tamanho, obra do José de Alvino.

- Traga o meliante à minha presença.

O juiz intimou a vinda do Zezão e mandou o sobrinho dos donos da casa – Aldivan - ir buscá-lo, ele que naquela hora estava tranqüilo em casa fumando o cigarrão de palha de todos os dias. O chamado da autoridade era uma ordem. Ele apagou a contragosto o cigarro, meteu a camisa nas calças, enfiou as alpercatas nos pés e seguiu para ver o que o senhor doutor queria com ele.

- Como o senhor teve a coragem de defecar...

- Defecar o que meu doutor?

- Como o senhor teve a coragem de cagar nas verduras dessa pobre velhinha?

Puxando o nariz, que era virado pro lado esquerdo, e que coçava muito quando ficava nervoso, Zezão assegurou ao juiz que não havia sido ele o autor de tamanha desfaçatez. Do outro lado da sala, Marciana interrompeu-o e gritou em alto em bom tom para todo mundo ouvir, já que a sala estava repleta de curiosos.

- Foi ele doutor, foi ele sim. Eu conheço a rosca!

Depois da “balada” recebida do juiz que prometeu mandar prendê-lo se repetisse a façanha no maxixal da Marciana, o Zezão ficou três meses só bebendo, em casa, morto de vergonha de todo mundo.